Ex Seminaristas da Província

 

Neste espaço gostaríamos de publicar notícias, comentários e fotos dos Ex seminaristas da Província de MG/Rio/ES.

O espaço é de vocês. Enviem seus textos e fotos para nosso e-mail : uneser@uneser.com.br

Fiquem à vontade para sugestões também.

 

Começamos com a publicação do e-mail recebido do Luciano Dutra Neto e outros e-mails recebidos;

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Grato, Luciano. recebi o anexo agora. E li imediatamente, saboreando as lembranças tão bem contadas do João Victor 

Não fiz parte do grupo de vocês. Era dos mais novos. Mas me lembro bem do João Victor: a barba cerrada, a cara de sério e a delicadeza e sensibilidade de poucos. Lembro dele na tuba da banda… Era muito atencioso com os novatos, coisa rara, porque éramos de certa forma esnobados pelos barbados.. rsrs. No seminário de Três Pontas ( vcs foram do de Sta Rita) havia a divisão entre maiores, médios e menores. Acho que vem daí a exclusão que eu sentia (e ainda sinto hoje) como um prejuízo irreparável. Um prejuízo porque não tinha como circular e participar com vcs de tantas coisas bacanas. A descrição do João Victor dos passeios à Casa de Campo, da subida da Serra do Ouro Branco, do dia 31 de março de 1964, do viveiro que era cuidado (???) pelo PIG… eu me lembro de tudo isso lateral e esparsamente. Não participava. Era um espectador .. assim como fui do Cavalinho Azul. Aquela cena do Ivan coçando o capacete, acho que me lembro..

Assim como vc, Luciano, o João Victor é praticamente um padre. Prova de que é possível conviver com muito proveito inteligência e fé! Tantas vezes duvidei disso …

 Acho muito bacana encontrar vcs agora, ainda como espectador de suas aventuras e façanhas seminarescas. rsrs

Não segui religioso, como vocês, mas também não cheguei à heresia sagrada e inteligente (que tanto aprecio) do PIG.

O mais importante é constatarmos que do seminário só saiu gente interessante.

Que apareçam mais… Depois dos 60, a memória é um lugar muito mais aprazível e gratificante de se frequentar.

Abração

 

Luiz Carlos Assis Iasbeck
Professor e Pesquisador em Comunicação Social
Universidade Católica de Brasília

 

 
 

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Transcrevo abaixo uma conversa dos colegas Flaviano e Ivan Kallas sobre a tal entrevista do Ze Maier...na TV que pode ser vista no : http://ow.ly/JDtJb.
Os comentários me pareceram extremamente apropriados....
 
Flaviano Trindade Me perguntaram sobre minha saída daquele ambiente e o que achava da entrevista do famoso ator. Sobre a saída diria que me faltaram convicções e heroísmo. A entrevista do José Mayer é perfeita. Apenas não me convence esse fingimento que alega. Se ocorreu, acredito que tenha sido ao final da adolescência. Quando criança vivíamos aquele clima de Minas Gerais ... "Velejar, velejei... No mar do Senhor... Lá eu vi a fé e a paixão". E assim esquecíamos a nossa paixão para viver a do Senhor. Portanto, ele continua, na entrevista, sendo genial ator.
Ivan Kallas Interessante a entrevista de José Mayer.  
Sincera, mas não totalmente verdadeira. Pois não adere à figura do menino com 10 anos e meio.  
Adequada para um homem que precisa cultivar sua imagem pública, num universo de preconceitos. Digamos que contou 
pequena e circunstancial inverdade de forma essencialmente verdadeira. Por razões que ele próprio esclareceu, quando foi a nosso Encontro em Juiz de Fora, perseguido pela imprensa maldosa e maledicente.

Fomos contemporâneos. Ele bem mais jovem e talentoso, tanto que me alcançou, após eu ter tomado duas "bombas" e várias ameaças de exclusão. Me ofuscou com seu brilho de estrela precoce logo na primeira apresentação da tragi-comédia "Fábrica de Malucos". Dirigida por Pe. Dalton e "palpites" de Haydé Bitencourt. Eu, ator principal, onde ele era coadjuvante (vou achar a foto, rs). E que coadjuvante, diga-se. Já era principal mesmo no papel secundário.

Cruzamos caminho várias vezes. De uma feita, ele como ator principal no Teatro do Sesc. Eu eterno e desajeitado ator principal no Sesi que montou, para um concurso nacional, Os Ossos do Barão (na realidade A Escada), produzido por Wilma Henriques e dirigido por Wanda Marlene, do Grande Teatro Tupi. Pouco antes da Globo lançar Paulo Gracindo. Dizem que minha performance foi melhor. O que jamais será devidamente avaliado pois o Sesi cancelou o evento e, com isso, minha meteórica carreira de ator.

Mas, a propósito de "vocação" creio mais fiel a abertura de minha redação premiada em concurso literário da época. Jamais esqueci:

"Coisas há na vida que acontecem conosco e, depois que passam, não sabemos como foi que sucederam. Assim se deu comigo." 
"En passant", me gerou raiva um dos "maiores" apontar erro de portugues nesta frase. Não admito e não conto qual. Descubra se puder.

J Mayer, como eu e a maioria, entrou para o seminário sem saber o que fazia. Nem imaginava, nesta idade, o que isto fosse. Na realidade, suas palavras se tornam absolutamente verdadeiras após descobrirmos que, era a única via para a maioria estudar. E se descoberta nossa "falta de vocação" seríamos impiedosamente excluídos. Dos estudos, do convívio, de toda a "entourage" que torna penosa mas incrivelmente desafiadora a vida "intra muros".
O Véio
Flaviano Trindade Os desdobramentos da entrevista também estão interessantes! Gostei muito da análise do Ivan Kallas.
Flaviano Trindade É muito difícil, embora prazeroso, revermos essas circunstâncias de meio século atrás. Para as gerações mais jovens dificílimo, quase impossível. Aprendíamos Latim e Grego. Sentávamos à mesa como aristocratas europeus, guardanapo de tecido fino pendurado em losango com uma das pontas enfiada na gola da camisa, ouvindo musica clássica ou a leitura em voz alta do orgulhoso leitor da semana. O sistema educacional era até um tanto principesco, uma turma inicial de 30 ao término de 4 anos já estava reduzida a um quarto, ou até menos. Exames escritos e orais. Laboratório de física e química; instrumentos musicais, de corda, fole e sopro; vasta biblioteca profana e sagrada onde todos tinham ficha não para controle de devolução e sim como indicador de quantidade e qualidade da literatura; enfim uma excelência de mundo cultural, contornado, em Congonhas, pela belíssima arquitetura barroca. Locais próprios para esporte e lazer, e uma casa de campo com piscina, aos pés da Serra de Ouro Branco, colaboravam para "mens sana in corpore sano". Viver essa vida intra-muros era penoso até os doze anos, sentia-se e ressentia-se a perda do convívio da família. De fato, ex-post, pode-se até afirmar que não tínhamos consciência plena do que se fazia: nossas mentes se formavam. Mas o desejo infantil era manifesto, checado, e a partir daí a "vocação"qual planta tenra era cultivada através das homilias diárias, dos estudos e do esporte, com o reforço "extra-muros" do orgulho acompanhado das orações dos piedosos parentes. O lado glamouroso disto tudo definhou bastante com o processo de secularização. O "mundo encantado" da fé foi substituído pelo "mundo desencantado" da razão já dito por Weber. Entretanto tais lembranças nos divertem.
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De: Flaviano Trindade 
Data: 1 de março de 2015 21:47:53 BRT
Para: Luciano Dutra Neto 
Assunto: Re: Foto....veja o que pode identificar....
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Juvenato São Clemente (Congregação Redentorista) - Segunda Série Ginasial 1963 - Congonhas (MG)
Da esquerda para direita e de baixo para cima: Sentados: Luiz Carlos Pretti, Geraldo Moreira,Flaviano Pereira Trindade,Paulo Cícero, Stelio, Aloisio Borges, Missias Martins, Rubem Barboza Filho, Edmar. De pé: José Ângelo, Luciano Reis, Domingos Assunção Braga, João Evaristo Esteves, Edson, Raimundo, ?, Carlos Miranda, ?, Sebastião Liparizzi, Julio Cezar Dolabela Guimarães, Veio, Augusto Rafanelli, Aquiles, ?, ?,Antonio de Pádua Auad, Anibal, Antonio Carlos, Orlando dos Santos Marques.
 — em Congonhas.