Afonso Cavalcanti - Jandaia

 

Serviçal

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Com ele se constrói o conhecimento

Que transforma os vários momentos

Para a evolução do correto saber.

Por ele surgem as jornadas científicas

Que discutem atividades específicas

Que indicam modos de como fazer.

 

A sociedade, no andar da carruagem,

Se manifesta e se enche de coragem

Porque acredita nas novas descobertas.

Os resultados a um bom público são dados

E pela grande mídia tornam-se propagados,

Porque o pesquisador veio na hora certa.

 

Fala-se tanto na necessidade de servir,

Comenta-se que precisamos mais ouvir,

Estar muito atentos à nova evolução.

As descobertas encurtam as distâncias,

Mostram sem dúvida as significâncias

Do valor cultural de uma nova invenção.

 

Aqui se questiona quem é o inventor,

Embora não se dê a muitos o valor

Dos seus serviços ora qualificados.

A sociedade consumidora é muito ingrata

E não é nem um pouquinho sensata

Quando vem à tona cobrar resultados.

 

Muitos acadêmicos investem no conhecimento

E não exigem seja dado o devido reconhecimento,

Pois sabem que seu saber ao social emplaca.

É claro que muitos reconhecem o pertencimento

E agem para ajudar o verdadeiro discernimento

Que enobrecerá a sociedade que se destaca.

 

Compara-se uma invenção extraordinária

Com uma transformação decisiva e ordinária

Que traz resultados bons e transformadores.

Da mesma forma que a semente foi plantada

E a terra pelo agricultor foi bem cuidada

Para que possa colher frutos promissores.

 

Mandaguari, 13 de outubro de 2017.

 

 

AS VIRTUDES COMBATEM OS VÍCIOS E CONSTROEM A SOCIEDADE FELIZ

Afonso de Sousa Cavalcanti – afonsoc3@hotmail.com

Comunicação oral

 

Introdução: Conforme o livre arbítrio, o ser humano consegue controlar seus instintos básicos e se submete aos valores das virtudes ou aniquila seu entendimento e sensibilidade e é dominado pelos pecados capitais. 

Objetivos: Demonstrar que o processo civilizatório favorece o relacionamento humano e melhora a vivência na pólis. 

Material e método: Este estudo analisa Wikipédia, enciclopédia livre e verifica PANATI, Charles. 

Origens Sagradas de Coisas Profundas. Nele o autor aprofunda o conhecimento sobre o texto do teólogo e monge grego, Evágrio do Ponto(345-399), narrando 8 crimes ou 8 paixões que destroem a humanidade. 

Discussão: Para Evagrius, na medida do pecado, a pessoa se torna mais egocêntrica. O orgulho é a maior fixação do ser humano em relação a si mesmo. No final do século VI, o Papa Gregório reduziu a lista a sete itens, juntando "vaidade" ao "orgulho e com isso a Igreja utilizou a classificação desses vícios, nos primeiros anos do catolicismo, querendo educar e proteger seus seguidores, tratava-se do controle dos instintos básicos. Os sete pecados capitais: o orgulho (arrogância), a inveja, a ira, a preguiça, a avareza, a gula e a luxúria estão presentes na história e são responsáveis pelos mais graves conflitos sociais, econômicos, políticos, religiosos e outros. 

Conclusão: o estudioso das ciências humanas pode percorrer os ensinamentos dos teóricos modernos, como Hobbes, que teorizou ser o homem um indivíduo mau por natureza e que necessita da instituição do Estado para se controlar, ou como Rousseau, que afirmou ter o homem nascido bom e a sociedade o estragou. Os religiosos (como Evágrio, Tomás de Aquino e o Papa Gregório) indicam o remédio para os vícios (pecados) é a prática ascética, ou melhor, o exercício contínuo das virtudes cristãs, como a fé, a esperança e a caridade. Para se obter o conhecimento profundo da história do cristianismo, o pesquisador terá que folhear as páginas da história da humanidade.  

 

**********************************

 

Realidade

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Da galhada do pinheiro,

a gralha, pássaro ligeiro,

leva o pinhão para plantar.

Ela não sabe o que faz,

pois sempre leva e trás,

depois volta para descansar.

 

De voada em voada,

no meio da mata fechada,

ela fez tamanha plantação.

Os paranaenses desatentos

não sabem em quais momentos,

devem à gralha contemplação.

 

Contemplo os campos dos pinheirais,

mesmo onde não existem mais

os voos graciosos do pássaro azul.

As florestas foram derrubadas

e as terras estão hoje ocupadas

com a agropecuária da Região Sul.

 

O ensinamento às crianças

será a nossa forte esperança

de que elas voltarão a plantar.

De que protegerão o ambiente,

fazendo a floresta permanente

e trarão a gralha para cantar.

 

Para se obter um pinheiro,

vire o pinhão por inteiro

e o enterre raso no chão.

Espere por trinta anos,

sem sofrer desenganos

e surgirão a pinha e o pinhão.

 

Mandaguari, 26 de novembro de 2016.

Creio que os senhores são frutos do Paraná, portanto a todos a homenagem.

 

 

 

Aparecida, a Senhora Nossa

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Era o ano de um mil setecentos e dezessete,

O pescador lançou a rede e de novo a remete

Para trazer peixes em quantidade abundante.

Ao invés de peixes, veio o corpo de uma imagem

E eles olharam para ele como se fosse miragem

E continuaram a pesca, frente ao achado interessante.

 

Os homens não saíram daquele espaço

E continuaram o trabalho no mesmo compasso,

E pescaram a cabeça que se uniu ao corpo quebrado.

Eles se encheram de temor e de forte admiração,

De forma que a alegria os tomava com emoção,

No exato momento que caíram ajoelhados.

 

A partir daí o milagre aconteceu,

Veio tanto peixe que a rede se rompeu

E os três homens ficaram encabulados.

Falavam entre si o que fazer com esta santa?

Eles disseram: “esta aparição nos encanta”

E por isso iremos ao padre, falar deste achado.

 

A Igreja não se declara imediatamente credora,

Mesmo, que pareça certo, a aparição da Senhora,

Ela precisa de fatos e de forte averiguação.

O acontecido se deu no Bairro dos coqueiros

E tantos foram os surgimentos de boletins corriqueiros,

Embora nenhum trouxesse a respeitada atenção.

 

Tempos novos vieram para completar a história

E para o Morro dos Coqueiros, em grande glória

Apareceram os padres da congregação redentorista.

Encontraram já instalado o primeiro santuário,

Que aos poucos foi juntando fiéis ao novo cenário

Que vinham pedir graça naquele rincão paulista.

 

As celebrações foram deveras maravilhosas,

De forma que as doações se tornaram vultosas

E Aparecida se tornou o centro das romarias.

De todos os cantos do Brasil chegam as caravanas:

Milhares de romeiros, durante todas as semanas,

Eles vem saudar os céus através da Virgem Maria.

 

Hoje quem vai à cidade de Aparecida,

Busca nela a bênção, uma nova guarida,

Por assim dizer: uma nova conversão.

Não há quem não passe aos pés da Cidinha

Sem ter forte emoção ao dizer: ”minha Madrinha”,

E, num gesto carinhoso é tomado de emoção.

 

Aparecida é Mãe, é Santa, Rainha Gloriosa,

Pois lá de seu trono, ela reina majestosa

E ao Brasil ela abençoa e o enche de graça.

A virgem tem ouvidos grandes e boca pequena,

Pois ela ouve muito com ternura serena,

Aos que a buscam, ela ajuda e suas causas abraça.

 

Tenho refletido muito nas insistências de Jesus,

De forma a observar os últimos momentos na cruz

E lá ao lado dele, a Mãe era pura confiança.

Sei que faço meus pedidos com insistência,

Isto o faço, porque sei da santa permanência

Que Aparecida é a Mãe da Perseverança.

 

Mandaguari, 8 de julho de 2017.

 

 

       Suposições

 

Se as folhas caem das árvores

É porque o tempo chegou,

O outono passou,

As sementes se soltaram dos frutos

E, somente resta à floresta descansar.

 

Se a maioria das árvores repousam

É porque chegou a dureza do inverno

E para elas aquilo é desligamento,

Tempo mórbido para os arvoredos.

 

A rigidez do caule, dos galhos e ramos

Representa resistência,

Permanência da natureza

Que se encolhe para o frio

E que espera pela primavera.

 

Se se chega mal à comparação:

A vida humana também espera,

Aguarda a oportunidade,

Sonha com o chamamento

Que lhe dá voz e vez.

 

Enquanto o ser humano vive

E procura o discernimento,

É sinal que nele ainda repousa a esperança.

Sua humanidade é imanente

E a espécie humana ainda tem jeito.

 

A expressão: “olhar o mundo lá fora”

Trás um indicativo de que o aguçamento dos sentidos

Representa a abertura de janelas e portas

Para se conseguir o congraçamento humano

Que poderá mover passos em prol dos necessitados.

 

 

 

 

Desequilíbrio...

 

Um país rico em mercadorias,

olha de longe o pobre em agonia

e sabe de suas más direções.

A sociedade, que sociedade!

um poço de maldade

que se esconde em suas ambições.

 

Nas praças tremulam as bandeiras,

avivando a gente brasileira,

embora de patriotismo acanhado.

Faltam víveres, o bom alimento,

mas sobra a muitos tormento,

do pobre que ficou abandonado.

 

Falo do pobre sem escola,

do mendigo que pede esmola

e do trabalhador explorado.

Não me acanho em dizer

que os bandidos que nos fazem sofrer,

somos por ele culpados.

 

A culpa é social,

e isto não redime o mal

que estamos atravessando.

Neste 16 o povo foi às ruas,

falar de verdades nuas e cruas

nas quais os bandidos estão nadando.

 

O Brasil ainda tem jeito,

comecemos a bater no peito

e saiamos à luta.

Se quisermos a vitória

e com nosso nome na história,

esta é a hora dura da disputa.

 

O novo ano irá começar

e não podemos parar

de falar sobre a boa política.

Creiamos no povo brasileiro,

então que nosso ato primeiro

seja formar a consciência crítica. 

 


Mandaguari, 31 de dezembro de 2016.

 

Nação...

Afonso de Sousa Cavalcanti

Um país é feito,
da forma e do jeito
onde o povo mora.
Ele é mais emoção,
conforme a educação
que a muitos demora.

Eu sou brasileiro,
entrego-me por inteiro
pela causa da unidade.
Não importa a política,
sempre sou pessoa crítica,
Deus me dá a solidariedade.

Tenho andado por aí,
caminhado rumo ali,
para olhar os brasileiros.
Muitos são acomodados,
outros vivem alienados,
mas no esporte são ordeiros.

Na década de noventa,
a história conta e não inventa,
Deus foi dito brasileiro.
No olhar de João Paulo Segundo,
o patriota tem olhar profundo
e à sua Pátria se consome inteiro.

Hoje sou experiente,
sempre olho para os excelentes
para ver o melhor modelo:
que Deus nos olhe do alto
e nos mande ao Planalto,
políticos com bom zelo!

Aos amigos e companheiros,
nacionais ou estrangeiros,
o nascimento não importa.
Quero vê-los em força unida
e de forma bem aguerrida:
como o brasileiro suporta.

Folheando as páginas da História,
arranque de sua boa memória
o que disse o Santo Salesiano;
"O Brasil terá mais coração,
se sobre ele houver educação
e o povo seguir sem engano".

É claro: a luz nos vem da mente,
se o esforço é sempre eficiente
para se ter um País ordeiro.
A harmonia vem do trabalho
e não existe outro atalho
para a construção do Brasileiro.

(É claro que você já conhece: São João Bosco esteve no Brasil, ainda no século XIX e segundo nos conta a História, ele profetizou: "O Brasil será grande, quando a capital for lá. Ele apontou para o centro, onde está Brasília hoje. E prosseguiu: "O crescimento dele virá, quando minha congregação tiver espalhado escolas por todos os seus lugares". Se o santo profetizou e a coisa ainda não deu totalmente certo, então nós podemos encontrar os erros e arranjar nossa Casa. Afonso.

 

 

Poemas de outubro

Afonso de Sousa Cavalcanti

Ambiência

 

O morador da zona rural,

Na sua forma natural,

Utiliza o ecossistema.

Tem recursos em abundância,

Embora viva em vigilância,

Como gente do antigo sistema.

 

Da terra vem sua sobrevivência,

Eis seu modelo e experiência

Que sempre faz como ninguém.

Ele percebe que a mãe terra,

Em si mesma, ela encerra

Modos enérgicos que vão além.

 

Ele percebe que a derrubada,

À natureza viva desagrada,

Trazendo a trágica desarmonia.

Aos poucos a vida se concerta

E o agricultor se desperta,

Para o que o novo tempo o desafia.

 

Por ser simples e ordeiro,

Repensa e, como ato primeiro,

Com a natureza se compromete.

Torna-se vigilante usuário,

Criando um novo cenário,

Contrário ao que a tecnologia repete.

 

Se se quer um planeta lindo,

Onde o ecossistema seja bem vindo,

Precisam-se de novos inventos.

O descarte das agressivas energias

Abrirá visões aos novos dias,

O espaço aos novos conhecimentos.

 

A agressão sobre a natureza

Não é o que a boa consciência deseja,

Se se quer o planeta equilibrado.

Nos cenários das agressões,

O campo e as cidades são vilões,

Deixando a todos preocupados.

 

Pergunta-se: de que lado você está?

A atual tecnologia, o planeta explodirá,

A não ser que surja novo entendimento.

O Criador deu-nos a Terra de presente

E cabe a nós, como seres conscientes,

Impedir o ganancioso conhecimento.

 

Na condição de filósofo e de poeta,

De cientista que busca nova meta,

A atualidade mostra o caminho.

Profetizar, rezar, refletir e agir,

Isto sim, alguns demonstram o porvir,

Mas o Planeta quer da humanidade o carinho.

 

 

Estação

 

Estando na primavera,

Portanto na espera

Dos frutos que virão.

O tempo é sempre novo,

Quando o nosso povo

Sabe fazer reflexão.

 

O dia amanheceu aberto

E o sol já está bem perto

De emitir raios brilhantes.

Nos céus começa a revoada,

Pois centenas de bicharada

Fazem um barulho constante.

 

Observar o dia bem cedo,

É reparar os arvoredos

Como majestades na mata.

O ar é fresco na densa floresta

E a luz do sol logo atesta

Que a vida ali é correlata.

 

Na floresta, todos os viventes,

De maneira dependente,

Vivem de modo harmonioso.

Cada ser tem seu abrigo

E ali, todos correm perigo,

Naquele espaço majestoso.

 

O que mais admiro na natureza

É a sua energia benfazeja

Que se modifica nas estações.

O novo tempo da primavera

Vem indicar a novidade dessa era,

Arranjando carícias aos corações.

 

Primavera é verde, é flor, é perfume,

É tempo novo, com mais lume,

Com novas forças para os seres.

A inovação da referida estação

Indica nascimento e pulsação,

A natureza aberta em seus afazeres.

 

Um dia desses, ao meio dia, repousei

E à sombra de uma peroba então fitei

Para a imensidão dos seres criados.

Ali deitado, ouvi sons diferentes,

Voei na imaginação com todos aqueles entes

E gritei: meu Criador, muito obrigado!

 

 

Transformação...

 

Observar a natureza,

Onde a energia se transforma,

É pensar na nova forma

Do mundo futuro, com certeza.

 

Em um parque de diversão,

Milhares de pessoas, vêm e vão,

Quando o consumo de água é imenso.

Os que usam de tal riqueza

Exercitam suas destrezas,

Sem perceber o desgaste intenso.

 

Para todos vale a alegria,

Mas muitos não pensam que um dia,

Tal energia mudará de rumo.

Um thermas com águas quentes

Não será algo permanente,

Pois a natureza repõe seu consumo.

 

Deus queira se engane o bom senso,

Pois aprecio o constante contra senso

Do mau uso das grandes reservas.

As águas quentes vêm do fundo

E tendem a abalar o mundo,

No bastante que a matéria conserva.

 

O toque do Criador

 

Deus tocou meus pensamentos

E me trouxe algum alento

Com meus companheiros.

Estamos de viagem,

Numa maravilhosa paragem

Que nos une ao mundo inteiro.

 

O que afirmei é verdade,

Nosso grupo tem lealdade

Nas horas boas de reflexões.

A vida lhe deu formatura,

Fez de todos pessoas maduras,

Gente dedicada e de grandes doações.

 

Eu não tinha prestado atenção

Nas muitas e boas intenções,

Que ora vejo na melhor idade.

Ela ainda nos confere energias

E multiplica as sinergias

Para construir a solidariedade.

 

No embalo da maturidade,

Homens e mulheres da melhor idade

Se encontram amigavelmente.

Entre si, dividem o que têm

E se amam como ninguém,

No bom convívio, fraternalmente.

 

 

Ordeiros do amor

 

Vida boa é gerência,

Sensibilidade e inteligência,

Para tudo bem conduzir.

Acredita-se que um pouco de inocência,

Equilibra e melhora a essência,

Pensando sempre no porvir.

 

O ser humano é complexo

E às vezes desconexo

Com a sua realidade.

A maioria só pensa em si,

Corre para lá e para aqui

E não evolui sua humanidade.

 

Aos desconectados

E até mesmo desalmados,

A vida trás corretivos.

Quando menos eles esperam,

Os espertalhões prosperam

E os conduzem em seus sentidos.

 

Viver só pela racionalidade

Não é indicativo de maturidade,

De vida justa e certa.

O bom viver requer sensibilidade,

Como indica a austeridade

De pessoa sábia e também esperta.

 

O espaço do real

Não é igual

Aos sentimentos idealistas.

Para quem o humor conserva,

A vida sempre reserva

Momentos otimistas.

 

Aceites e acertos

 

As pedras rolam pela ladeira,

Mas de forma certeira

Param no sopé da montanha.

Ideias resultam-se de pensamentos

Frutos de alguns momentos,

De decisão certa e não estranha.

 

Uma pessoa bem educada

Deixa-se ser transformada

Em um existencial valorado.

Assim como as sementes se vão pelo vento,

O saber aparece no momento

Em que o ser humano é educado.

 

Se olharmos uma paisagem,

Veremos que ela é passagem

Para uma nova construção.

Há séculos se constroem cidades

E com algumas dificuldades,

No Planeta, elas aí estão.

 

Com pedras se fazem muralhas,

Assim como as ideias se espalham

Para fincar grandes edifícios.

Milhares de povos históricos,

Com seus informes categóricos,

Nos demonstram seus ofícios.

 

Hoje as centenas de nações,

Demonstrando insatisfações,

Praticam a guerra e não a paz.

Para tanto, precisamos saber,

O que de fato queremos ser:

O que é que nos satisfaz.

 

Se somos a pedra que rola da montanha,

E de maneira tacanha,

Destrói tudo pela frente.

Se somos a pedra da muralha,

Então, nada nos atrapalha

A ser um digno existente.

 

Estive aqui pensando

E terminei meditando,

O quanto é bom filosofar.

Se paro, observo e penso,

Defino-me pelo bom senso,

Do lado que devo sempre estar.

 

Como pensador, filósofo e poeta

Experimento a vida concreta,

Com fé, amor e alegria.

Vejo que tudo o que me ródia,

Demonstra que o mundo é uma aldeia,

Iluminado em sua própria energia.

 

Saio a galopar no vento,

Com o finito momento

Que me concede o espaço.

Sinto em mim inquietação,

Algo que mexe com meu coração,

Pois eu não me satisfaço...

 

Política e partidarismo

 

A organização do partido

É o melhor sentido

Para a ordem política.

Vale a organização,

A verdadeira ação

Para a consciência crítica.

 

O brasileiro se estremece

E às vezes carece

De um puxão de orelha.

O Brasil é muito rico,

Embora o povo, nada crítico,

Comporta-se como ovelha.

 

Todos viram o recado,

Que bem logo foi proclamado,

Nestas últimas eleições.

Votos nulos e brancos

São frutos dos solavancos

Das más administrações.

 

O povo se desperta do sono,

Pois chega de ser colono,

É hora de acordar o Gigante!

Precisamos da nova política,

De vivência e postura crítica,

Afastemos as ações arrogantes!

 

 

 

Trindade do Pai Eterno

 

Ao entrar em Trindade,

Levo minha alma à santidade,

Para pousar nesse torrão.

Ali vivem nossos companheiros,

Missionários verdadeiros

Que abençoam este chão.;

 

Pisei o solo com alegria

E bem disse aquele dia

Com enorme satisfação.

Olhei tudo ao seu redor,

Do mais idoso ao menor,

Levarei de lá recordação.

 

Já pelo tempo decorrido,

Ainda percebo o sentido

Do verdadeiro evangelizar.

Em mim guardo imagens,

Daquelas lindas paragens

Que em Goiás pude notar.

 

Quando Deus quiser

E oportunidades eu tiver,

Voltarei às missões.

Quero carregar a cruz,

Aos chamados a serem luz,

Aumentando as emoções.

 

 

 

Estação

 

Estamos na primavera,

Portanto, na espera

Dos frutos que virão.

O tempo é sempre novo,

Quando o nosso povo

Sabe fazer reflexão.

 

O dia amanheceu aberto

E o sol já está bem perto

De emitir raios brilhantes.

Nos céus começa a revoada,

Pois centenas de bicharada

Fazem um barulho constante.

 

Observar o dia bem cedo,

É reparar os arvoredos

Com majestade na mata.

O ar é fresco na densa floresta

E a luz do sol logo atesta

Que a vida ali é correlata.

 

Na floresta, todos os viventes,

De forma dependente

Vivem de modo harmonioso.

Cada ser tem seu abrigo

E ali, todos correm perigo,

Naquele espaço majestoso.

 

O que mais admiro na natureza

É a sua energia benfazeja

Que se modifica nas estações.

O novo tempo da primavera

Vem indicar o novo dessa era,

Brotando carícias aos corações.

 

Primavera é verde, é flor, é perfume,

É tempo novo com mais lume,

Com novos alentos para os seres.

A inovação da referida estação

Indica nascimento e pulsação,

A natureza aberta a seus afazeres.

 

Um dia desses, ao meio dia, repousei

E à sombra de uma peroba, meus olhos fitei

Para a imensidão dos seres criados.

Ali deitado, ouvi sons diferentes,

Voei na imaginação com todos aqueles entes

E gritei: meu Criador, muito obrigado!

 

Mandaguari, 27/9/2016.

 

Vocação, convocação de Deus

Afonso de Sousa Cavalcanti

Por longos dias,

Deus chamou Isaias,

E disse: não sei Senhor.

De Deus continuou a insistência

E Isaias; em sua consciência,

Respondeu: envia-me, por favor!

 

Na caminhada ia Paulo, o perseguidor

E do céu, novamente, volve o Senhor,

Chamando-0, incessantemente.

A mente dele falou mais alto

E, como em forte sobressalto,

Paulo se tornou o evangelizador das gentes.

 

Depois de pescar a noite inteira

E conseguido, é claro, grande canseira,

Os apóstolos sofrem a decepção.

O Senhor, novamente, ao mar os lança

E, com a graça, a caravana avança

E eles conseguem muito peixe, então...

 

Comparando as vocações

E aumentando as emoções,

Segue nossa academia.

Ontem, com vários admiradores,

Hoje, com diversos bons seguidores,

Ela é instrumento que a cultura irradia.

 

Por ela passou Doutor Fahed,

Depois o Doutor Edson, que hoje pede

De todos mais garra e união.

Presentes estão Pallu e Matheus

Que eficientemente orientam os seus

Para que sejam atentos à doação.

 

A academia é alerta,

Por isso é porta aberta,

Ao mundo, irradiação.

Seus membros são criatividades,

Desapego, doação, solidariedade...

À flor da pele, emoção.

 

Mandaguari, 7 de fevereiro de 2016.

 

Aparecida, a Senhora Nossa

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Era o ano de um mil setecentos e dezessete,

O pescador lançou a rede e de novo a remete

Para trazer peixes em quantidade abundante.

Ao invés de peixes, veio o corpo de uma imagem

E eles olharam para ele como se fosse miragem

E continuaram a pesca, frente ao achado interessante.

 

Os homens não saíram daquele espaço

E continuaram o trabalho no mesmo compasso,

E pescaram a cabeça que se uniu ao corpo quebrado.

Eles se encheram de temor e de forte admiração,

De forma que a alegria os tomava com emoção,

No exato momento que caíram ajoelhados.

 

A partir daí o milagre aconteceu,

Veio tanto peixe que a rede se rompeu

E os três homens ficaram encabulados.

Falavam entre si o que fazer com esta santa?

Eles disseram: “esta aparição nos encanta”

E por isso iremos ao padre, falar deste achado.

 

A Igreja não se declara imediatamente credora,

Mesmo, que pareça certo, a aparição da Senhora,

Ela precisa de fatos e de forte averiguação.

O acontecido se deu no Bairro dos coqueiros

E tantos foram os surgimentos de boletins corriqueiros,

Embora nenhum trouxesse a respeitada atenção.

 

Tempos novos vieram para completar a história

E para o Morro dos Coqueiros, em grande glória

Apareceram os padres da congregação redentorista.

Encontraram já instalado o primeiro santuário,

Que aos poucos foi juntando fiéis ao novo cenário

Que vinham pedir graça naquele rincão paulista.

As celebrações foram deveras maravilhosas,

De forma que as doações se tornaram vultosas

E Aparecida se tornou o centro das romarias.

De todos os cantos do Brasil chegam as caravanas:

Milhares de romeiros, durante todas as semanas,

Eles vem saudar os céus através da Virgem Maria.

 

Hoje quem vai à cidade de Aparecida,

Busca nela a bênção, uma nova guarida,

Por assim dizer: uma nova conversão.

Não há quem não passe aos pés da Cidinha

Sem ter forte emoção ao dizer: ”minha Madrinha”,

E, num gesto carinhoso é tomado de emoção.

 

Aparecida é Mãe, é Santa, Rainha Gloriosa,

Pois lá de seu trono, ela reina majestosa

E ao Brasil ela abençoa e o enche de graça.

A virgem tem ouvidos grandes e boca pequena,

Pois ela ouve muito com ternura serena,

Aos que a buscam, ela ajuda e suas causas abraça.

 

Tenho refletido muito nas insistências de Jesus,

De forma a observar os últimos momentos na cruz

E lá ao lado dele, a Mãe era pura confiança.

Sei que faço meus pedidos com insistência,

Isto o faço, porque sei da santa permanência

Que Aparecida é a Mãe da Perseverança.

 

Mandaguari, 8 de julho de 2015.

 

Nação...


Afonso de Sousa Cavalcanti

Um país é feito,

da forma e do jeito

onde o povo mora.

Ele é mais emoção,

conforme a educação

de todos não demora.


Eu sou brasileiro,
entrego-me por inteiro
pela causa da unidade.
Não importa a política,
sempre sou pessoa crítica,
Deus me dá a solidariedade.


Tenho andado por aí,
caminhado rumo ali,
para olhar os brasileiros.
Muitos são acomodados,
outros vivem alienados,
mas no esporte são ordeiros.


Na década de noventa,
a história conta e não inventa,
Deus foi dito brasileiro.
No olhar de João Paulo Segundo,
o patriota tem olhar profundo
e à sua Pátria se consome inteiro.


Hoje sou experiente,
sempre olho para os excelentes
para ver o melhor modelo:
que Deus nos olhe do alto
e nos mande ao Planalto,
políticos com bom zelo!


Aos amigos e companheiros,
nacionais ou estrangeiros,
o nascimento não importa.
Quero vê-los em força unida
e de forma bem aguerrida:
como o brasileiro suporta.


Folheando as páginas da História,
arranque de sua boa memória
o que disse o Santo Salesiano;
"O Brasil terá mais coração,
se sobre ele houver educação
e o povo seguir sem engano".


É claro: a luz nos vem da mente,
se o esforço é sempre eficiente
para se ter um País ordeiro.
A harmonia vem do trabalho
e não existe outro atalho
para a construção do Brasileiro.

 

 

Aparecida,
a Senhora Nossa


Afonso de
Sousa Cavalcanti

Era o ano de um mil setecentos e dezessete,

O pescador lançou a rede e de novo aremete

Para trazer peixes em quantidade abundante.

Ao invés de peixes, veio o corpo de uma imagem

E eles olharam para ele como se fosse miragem

E continuaram a pesca, frente ao achado interessante.

 

Os homens não saíram daquele espaço

E continuaram o trabalho no mesmo compasso,

E pescaram a cabeça que se uniu ao corpo quebrado.

Eles se encheram de temor e de forte admiração,

De forma que a alegria os tomava com emoção,

No exato momento que caíram ajoelhados.

 

A partir daí o milagre aconteceu,

Veio tanto peixe que a rede se rompeu

E os três homens ficaram encabulados.

Falavam entre si o que fazer com esta santa?

Eles disseram: "esta aparição nos encanta"

E por isso iremos ao padre, falar deste achado.

 

A Igreja não se declara imediatamente credora,

Mesmo, que pareça certo, a aparição da Senhora,

Ela precisa de fatos e de forte averiguação.

O acontecido se deu no Bairro dos coqueiros

E tantos foram os surgimentos de boletins corriqueiros,

Embora nenhum trouxesse a respeitada atenção.

 

Tempos novos vieram para completar a história

E para o Morro dos Coqueiros, em grande glória

Apareceram os padres da congregação redentorista.

Encontraram já instalado o primeiro santuário,

Que aos poucos foi juntando fiéis ao novo cenário

Que vinham pedir graça naquele rincão paulista.

 

As celebrações foram deveras maravilhosas,

De forma que as doações se tornaram vultosas

E Aparecida se tornou o centro das romarias.

De todos os cantos do Brasil chegam as caravanas:

Milhares de romeiros, durante todas as semanas,

Eles vem saudar os céus através da Virgem Maria.

 

Hoje quem vai à cidade de Aparecida,

Busca nela a bênção, uma nova guarida,

Por assim dizer: uma nova conversão.

Não há quem não passe aos pés da Cidinha

Sem ter forte emoção ao dizer: "minha Madrinha",

E, num gesto carinhoso é tomado de emoção.

 

Aparecida é Mãe, é Santa, Rainha Gloriosa,

Pois lá de seu trono, ela reina majestosa

E ao Brasil ela abençoa e o enche de graça.

A virgem tem ouvidos grandes e boca pequena,

Pois ela ouve muito com ternura serena,

Aos que a buscam ela ajuda e suas causas abraça.

 

Tenho refletido muito nas insistências de Jesus,

De forma a observar os últimos momentos na cruz

E lá ao lado dele, a Mãe era pura confiança.

Sei que faço meus pedidos com insistência,

Isto o faço, porque sei da santa permanência

Que Aparecida é a Mãe da Perseverança.

 

Mandaguari, 8 de julho de 2015.


 

 

 

 

Saída

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Os filhos batem asas,

Afastam-se de suas casas

E vão ao mundo diferente.

A vida lhes abre caminhos,

Para que eles decidam sozinhos,

A seu modo, como ser gente.

 

Muitos pais ficam distantes,

Vários deles perdem os instantes

De arrefecer oúltimo abraço.

Quem vai não sabe se volta

E também se precisa de escolta,

Caso haja algum fracasso.

 

O estar dentro ou o estar fora

Implica se o voar, o ir embora

É ou não é, coisa definitiva.

O viver familiar é imensa compreensão

Não permitindo a inteira separação

Dos que vivem em forma compreensiva,

 

A herança da espécie humana

É indicativo de que a raça se irmana

E dela, não se afaste um só elemento.

Caso sobre a espécie surja alguma ameaça,

Então se busca a energia da raça

E todos se unem para o entrosamento.

 

Não importa onde as pessoas se instalem

E também sobre o que delas todos falem,

Interessa mesmo o seu progresso.

O que importa é o simbólico como valor,

A unidade de todos por intermédio do amor

E assim se conclui: a vida plena, o sucesso.

 

Os que voam voltam ao antigo abrigo,

Pois ali ficou para eles um ombro amigo,

Seu habitat natural, o aconchego.

A volta representa o agradecimento,

A mais pura forma de congraçamento:

A doação da herança como desapego.

 

Mandaguari, 12 de abril de 2015.

 

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Ensinamento

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Desta ou de outra forma,
a mente sempre nos informa
qual raciocínio se deve seguir.
Se vimos ou vamos pelo dedutivo,
deixaremos para trás o indutivo,
o que importa é a mente fluir.

Quem escreve é porque pensa
e o resultado vem como recompensa,
verso a verso, para a estrofe tecer.
O ato de pensar a mente potencializa
e nos leva a vida mais concisa,
é claro com mais vigilância do ser.

O ato de escrever, da inércia nos afasta
e em nossa mente cria-se nova pasta,
registrando tudo em fina memória.
Aos poucos nos chega a idade madura
e ela comprova o encurtar da vida futura,
sinal que já tivemos uma longa história.

Por mais que tenhamos aprendido,
muito pouco temos já conseguido,
não importa o viver que ainda nos resta.
Somos ato do efeito da grande potência,
do quando exercitamos nossa essência,
pois o que somos, a vida nos atesta.

O correto é que a vida possamos levar
e não que nos cedamos ao seu passar,
pois, de nosso existir, somos senhores.
Não tenhamos dúvidas e nenhum tormento,
para trás deixaremos os tais sofrimentos,
se olharmos tudo com  santos temores.

Amigo leitor, compareço-me à sua tela,
com o intuito que abramos nova janela
e ao mudo possamos fazer declarações.
Sabemos que o bom pensar abre a porta
e ele diz como nossa alma se comporta,
no momento de revelarmos nossas intenções.


Mandaguari, 22 de março de 2015

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Tempo vivido

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

 

Ao completar sessenta e cinco anos,

Para trás ficaram os desenganos,

Restando seguir a senilidade.

O viver bem requer boa saúde,

Vida plena e prazer em magnitude,

Com o intuito de encarar a maturidade.

Os anos completos com a experiência

Atestam a produção da existência

Do sempre estar pronto para fazer.

Os momentos vividos e compartilhados

Comprovam os sucessos já atestados

Que destacam a felicidade de ser.

Não basta olhar ao redor de seu mundo,

Mas ir além e, em cada gesto fecundo

 E com todos selar novo
compromisso.

Usar da energia que ainda resta,

Transformando tudo em festa

Na alegria de prestar novo serviço.

Se o tempo vivido pareceu passageiro

E se fazer o bem exigiu o amor por primeiro

Então valeu à pena seguir o percurso.

O que virá de agora para frente

Exigirá mais para ser causa eficiente,

Pois a vida senil requererá mais recurso.

A caminhada vital já transcorrida

Demonstra o poder de celebrar a vida,

Projetando-se para o alto de uma montanha.

Enquanto jovem, metas foram traçadas,

Muitas vitórias foram alcançadas,

À base da lucidez e uma fé tamanha.

Celebrar bem os sessenta e cinco,

Corresponde o existir com afinco

Sem permitir que a vida passe em vão.

Este festejar vem aguçar os sentidos,

No viver e servir comprometidos,

Com a análise da mente e o amor do coração,

Mandaguari, 27 de março de 2015.


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Encontro com o Rei

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

A igreja estava lotada

E a atenção era redobrada

Para ouvir aquela homilia.

Vermelho era o paramento

Que o padre daquele momento

Acolheu a grande família.

O coral já entoara o salmo do dia,

E o pregador, na ponta da língua, trazia

Para todos um bom questionamento.

Tratava-se da entrada do Mestre Jesus

Que vinha a Jerusalém ao suplício da cruz,

Naquela hora montado em um jumento.

É sabido, que a entrada triunfante

Do Mestre Jesus naquele instante.

Indicava o chegar da hora do Salvador.

O rei entrou e o povo lançou seus mantos,

Hosana veio forte de todos os cantos

E o Messias com eles celebrou o amor.

Os reis quando saiam para uma visitação,

Quando voltavam recebiam forte aclamação,

Vinham acompanhados de um enorme cortejo.

Da muralha ao palácio de tapetes se forravam,

Demonstrando o quanto os súditos lhe amavam,

Prestigiando a realeza e enchendo seus desejos.

O rei na cidade entrava em cavalo de raça

E lá no palácio ele erguia sua bela taça,

Brindava com os seus as conquistas, as glórias.

Jesus entrou em Jerusalém montado em um jumento,

Ele veio celebrar com o povo o santo ensinamento,

Compartilhou com ele, basta ver a sua história.

Cantar Hosana, Hosana é buscar a salvação,

É voltar a Jerusalém e repetir a peregrinação,

É jogar o manto, lançar ramos para a passagem de Jesus.

O estar atento aos acontecimentos da Santa Semana,

É parar tudo, soltar a voz e entoar Hosana, Hosana,

Fazer como Cirineu que ajudou a carregar a Cruz.

Depois de tudo, de ouvir esta nobre mensagem

É preciso preparar sobre qual gênero da linguagem

Confessaremos ao mundo quem é o nosso guia.

Se formos mundanos, iremos irmanados com o mundo,

Mas se somos do Rei Jesus, por ele vale o engajar fecundo,

A cristã convicção de carregar a cruz com alegria.

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Ok, senhor poeta. Estar com energia para escrever é muito mais do que  estar em potencialidade para simplesmente viver. O poeta ao escrever,  lança ao mundo seus pensamentos e aos poucos os ordena, não sei se do  maior ao menor ou vice versa, isto depende do momento, do lugar e da  precisão da comunicação. Veja o que lhe escrevo.

 

Ensinamento

 

Desta ou de outra forma,

a mente sempre nos informa

qual raciocínio devemos seguir.

Se vimos ou vamos pelo dedutivo,

deixaremos para trás o indutivo,

o que importa é a mente fluir.

 

Quem escreve é porque pensa

e o resultado vem como recompensa,

verso a verso, para a estrofe tecer.

O ato de pensar a mente potencializa

e nos leva a vida mais concisa,

é claro com mais vigilância do ser.

 

O ato de escrever, da inércia nos afasta

e em nossa mente cria-se nova pasta,

registrando tudo em fina memória.

Aos poucos nos chega a idade madura

e ela comprova o encurtar da vida futura,

sinal que já tivemos uma longa história.

 

Por mais que tenhamos aprendido,

muito pouco temos já conseguido,

não importa o viver que ainda nos resta.

Somos ato do efeito da grande potência,

do quando exercitamos nossa essência,

pois o que somos, a vida nos atesta.

 

O correto é que a vida possamos levar

e não que nos cedamos ao seu passar,

pois, de nosso existir, somos senhores.

Não tenhamos dúvidas e nenhum tormento,

para trás deixaremos os tais sofrimentos,

se olharmos tudo com  santos temores.

 

Amigo leitor, compareço-me à sua tela,

com o intuito que abramos nova janela

e ao mudo possamos fazer declarações.

Sabemos que o bom pensar abre a porta

e ele diz como nossa alma se comporta,

no momento de revelarmos nossas intenções.

 

Mandaguari, 22 de março de 2015

Um abraço.

Afonso.

 

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Provação

 

Afonso
de Sousa Cavalcanti

Nosso Deus, no dia de hoje, nos oferece

Um espaço iluminado que nos enternece

Como o apresentado aos três apóstolos do Senhor.

Perto dele, os discípulos Tiago, Pedro e João

Viram vindo do céu a luz da salvação

Que os irradiou e os encheu de grande fervor.

 

Ao presenciar a Deus no alto da montanha,

Nossa pequenez sente que nossa alma se acanha

Porque ainda não conhece a luz irradiante.

Pela nossa incredulidade e fé ainda imatura

Deus nos submete ao experimento de vida dura

E nos auxilia para caminharmos nele confiantes.

 

As dificuldades encontradas na crença

Serão sanadas, se olharmos sem diferença

Porque existe um bom Deus na história.

Elas serão pelo milagre do Divino curadas,

E assim nossas almas serão transformadas,

Se a fé n'Ele for instrumento em nossa memória.

 

Falar do acontecimento da transfiguração

Consiste em querer mudar o coração

e sentir-se livre lá no alto da montanha.

Ali, inteiramente, a luz de Deus nos consagra,

Pois o céu nos acolhe e Deus nos afaga,

Depois nos envia repletos de uma fé tamanha.

 

Porque não ouvimos e continuamos pecadores,

Vivemos angústias e nos submetemos a dores

Sob o comando de Deus, que em nós confia.

Ele nos aconselha a viver uma vida de piedade,

De sofrimento, mas sem nenhuma maldade,

Pois a subida da montanha exige esforços do dia a dia.

 

Mandaguari, 28 de fevereiro de 2015.

 

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Mulher: alma gêmea

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Com o vir-a-ser da natureza,
reuniu-se tamanha beleza
para qualificar esse ser.
Deus reservou muita bondade
e resolvendo a necessidade
lançou-se intuitivamente a fazer.



Sem ela não sequenciaria a humanidade,
nem se construiria a solidariedade
dando segurança ao humano abrigo.

Por causa dela, a vida é definitiva

Para que surta o efeito da forma intuitiva

e ela tenha prazer e partos, livres do castigo.

 

Muitos no mundo veem nela apenas prazer.

Mas dentro dela e por ela está o querer

Para levar a humanidade sempre em frente.

Por se contar com a unidade dos contrários,

A energia do universo organiza novos cenários

E aos poucos se faz um porvir eficiente.

 

Festejar o oito de março, como data histórica

É render homenagens de forma heróica

À bela criatura extraída do divino pensamento.

As alegrias desta data são idéias universais

Que facilitam ideais e apontam novos sinais,

Pondo no pedestal a figura do momento.

 

O universo carregado de uma fina energia

Se enche de novas proporções e o amor irradia,

Completando com magnitude a bela criatura.

Mesmo que se criem as mais nobres invenções,

Nada se compara ao resultado das divinas intenções,

Sustendo a tudo conforme a mente d'Ele mensura.

 

Mandaguari, 4 de março de 2015.

 

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Humanidade, efetividade, legitimidade e solidariedade

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

         É ousadia afirmar que o filho cresce e constrói seu caráter de forma sólida e verdadeira sem contar com a efetiva colaboração do pai e da mãe.

        A construção do caráter se dá através das experiências que o indivíduo constrói ao longo da vida, podendo este contar com a contribuição dos pais, dos professores, dos instrutores religiosos, civis, sociais, econômicos, políticos, artísticos e outros. O caráter nada mais é do que é um conjunto de características e de traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes. Ou ainda pode se dizer que seja um conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa que vão determinar a sua conduta e a sua moralidade, o seu modo de se comportar. Os valores e firmeza moral definem a coerência das ações, do procedimento e do comportamento do sujeito em questão.

       Ao fazer a afirmação acima, é interessante que o leitor volte seu pensamento para o processo de colonização do Norte do Paraná, nos tempos idos da década de 1950. Que o observador reflita que naquela época quase que a totalidade das famílias vivia da agricultura de subsistência. Não havia lixo e nem luxo, em se falando da organização das chácaras, sítios e fazendolas.

        O lixo não era um vocábulo utilizado pelo homem da roça, basta ver que ele era um agente da derrubada da mata e de sua queimada. Muito pouca coisa que era comprada, fruto da indústria, vinha com embalagens que contaminassem o meio ambiente. Aqueles desbravadores estavam sob a ordem da colonização: a derrubada e a queimada deveriam avançar rapidamente e todos os lotes seriam roçados à base da foice e as árvores mais grossas seriam tombadas ao corte de machados e de traçadores. Tais ações eram feitas nos lotes inteiros, da cabeceira à barranca do riacho que banhava os fundos dos lotes. A ordem era limpeza e organização da produção agrícola. As madeiras de lei não tinham preço e, portanto, o quanto mais o fogo devorasse, mais ajeitadas ficariam as terras para os plantios de subsistências e o futuro da lavoura cafeeira ou formação de pastagens. O luxo também não era um termo como o encontrado na sociedade urbana de hoje. As casas eram ranchos grandes, cercados com lascas de palmitos, coqueiros e mesmo tábuas serradas na serra antiga. Pela ausência de pregos, o cipó ajudava nas amarrações das paredes. Na cobertura destas moradias eram usadas tabuinhas lascadas com o facão de fazer tabuinhas e também poderiam ser coberturas de sapé e palhas de palmeiras. O piso interior das casas era feito de chão batido e alisado com argila e esterco de gado. As mobílias da sala e da cozinha não passavam de mesa, bancos e cadeiras de madeira bruta. A cozinha contava com um fogão, ora feito de pedra ou de tijolos, fogão à lenha. Nos quartos, as famílias dormiam em camas de vara e se obrigavam a encher seus colchões de palha de milho rasgadas (trocadas em cada colheita de milho). Completando o luxo, os transportes se faziam no lombo de animais de tração ou em carroças de rodas grandes de madeira e ferro.

      Nesse estado de necessidades supridas à moda da época, quase que a maioria das famílias praticava o catolicismo e desde cedo as crianças levadas à catequese paroquial. Os sacramentos da Igreja eram ensinados e exigidos desde muito cedo, de forma que o Batismo se fazia imediatamente ao nascimento, isto quando havia missas e festas de batizados nos núcleos urbanos nascentes. Continuando a mesma prática, todos os filhos passariam pelo sacramento da Confirmação (Crisma) antes de completar os sete anos e também em conformidade com as visitas episcopais dos senhores bispos às localidades de moradia dos pais. Os sacramentos da Confissão e da Primeira Eucaristia se davam por volta dos sete anos de idade da criança, não importava se era ou estava sendo alfabetizada.

        O leitor deste texto, até aqui, percebeu que o caráter da criança, do processo de colonização Norte do Paraná, passou a ser formado através dos vários exercícios de vida familiar e comunitária. Desde cedo a criança era inserida nos vários convívios. Basta ver que a maioria das famílias era numerosa, em média dez ou mais pessoas por família, contando sempre com os contatos externos dos avós, tios, padrinhos e vizinhanças. A vida coletiva era constantemente celebrada. As famílias participavam das quermesses da Igreja Matriz local, seguiam os vários rituais dos terços das glebas, das festas de batizado, casamentos e funerais. Os eventos eram reais e todos se sentiam na obrigação de acompanhar um calendário previamente traçado. O padre era um indivíduo muito respeitado, o Bispo nem se fale. O melhor meio de comunicação de até então era através da Igreja, dos avisos das missas dominicais. Onde o padre ia, para lá se dirigiam as multidões. As pessoas cumprimentavam o padre beijando sua mão consagrada. O padre era autoridade, a mais importante da cidade. Se a formação do caráter até aqui foi vista pelo leitor, então é preciso que ele continue observando que após a primeira comunhão, o adolescente adentrava à Cruzada Eucarística na Igreja. Os que podiam, frequentavam as aulas no grupo escolar e depois no ginásio da cidade. Diga-se de passagem: o professor, ao lado do padre, também era uma pessoa estimada e admirada na comunidade. A maioria absoluta das famílias não era favorável que os filhos viessem estudar, pois a roça precisava do trabalho dos filhos daquelas famílias.

         É claro que as famílias aumentaram o número de filhos e eles se tornavam adultos e tendiam a formar novas famílias. Filhos obedientes, trabalhadores e bem formados serão bons esposos, bons pais e administradores dos bens da família. Os pais estavam de olho com quem iriam casar os seus filhos, daí o conhecimento e o interesse deles. Filho de proprietário deveria se casar com filha de proprietário. Havia sim casamentos por interesses e por indicações e por isso, muitos foram os casamentos, que embora duraram a vida toda, mas as mulheres seguiam a difícil tarefa de donas dos lares, mas com forte submissão aos maridos. Então, a grande tônica era criar os filhos e destiná-los a um bom casamento.

         O casal teria sua missão cumprida, quando conseguisse casar todos os filhos e os visse bem encaminhados em suas novas moradias e cheios de filhos (os seus netos). Ainda, a justiça familiar se completaria no momento final daquele casal, dos dois esposos, tendo um final feliz, em sua velhice, sob os cuidados de um ou mais filhos.

         Mandaguari, 21 de setembro de 2014.

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A religiosidade é marca indispensável ao caráter

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

          Nos anos de 1950 e 1960, a formação religiosa era para muitas famílias o primeiro direcionamento social dos filhos. As crianças entravam para a catequese, logo que completassem sete anos, não importava se já eram ou estavam envolvidas no processo de alfabetização.

          Em particular, quero relatar o episódio de minha vida. Não pude entrar no primeiro ano, quando completei sete anos. A matrícula escolar se encerrou em 1º de março e eu faria sete anos, em 28 de março. Fiquei fora desta possibilidade. Em outubro do ano em que completei sete anos, ingressei na catequese, sem saber ler e escrever. A catequista usava o catecismo e eu o acompanhava através das leituras que minhas irmãs mais velhas faziam para mim. Eu tinha facilidade de ouvir e gravar, decorar era a forma que eu usava. Decorava rápido e depois eu repetia as lições, sozinho. Na primeira aula de catequese, o tema dado foi: "A Graça Santificante e a Graça Atual". Ouvi com atenção o que ensinou a professora. Ela disse que a Graça Atual correspondia ao estado que cada um de nós estava vivendo, gozando de boa saúde, boa disposição, interesse em aprender, vontade de seguir em frente e ser de fato filho de Deus. Ao passo que a Graça Santificante é um dom que Deus dá a cada um dos seus filhos batizados para que sejam santos, como Deus é santo. Isto entrou fácil em minha cabeça, pois eu ouvia isto direto de meu pai. Ele nos fazia rezar ajoelhados, quando íamos dormir e da mesma forma quando nos levantávamos.

          Na sala de nossa casa havia objetos sagrados: um quadro do Coração de Jesus e de Maria, um crucificado e ainda, na cabeceira de cada cama das pessoas de nossa casa, havia ali um quadro ou uma imagem do santo de seu nome. Nós prestávamos reverência a estes objetos sagrados e tomávamos bênção ao papai e à mãe, beijando suas mãos e eles nos diziam todos os dias: "Deus lhe abençoe!" Isto me parece sério e esta marca ficou na gente.

        O que era sério no ensinamento religioso, em que nossos pais nos faziam cumprir rigorosamente, também era rigoroso na vida de trabalho de cada dia. Isto era uma obrigação e não se aceitava desculpas, discussão. A seriedade na religião veio da formação histórica deles.

         A Igreja Católica, presente na colonização Norte do Paraná, era muito respeitada e muito bem quista pelos projetistas do projeto de colonização da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Isto é verdade, basta ver que na maioria de nossas cidades, diga-se de passagem, do trajeto Londrina a Maringá, nos onze projetos de cidades, a igreja matriz de cada cidade ocupa um dos pontos mais altos do município. Isto é visível na Igreja São João Batista de Jandaia do Sul, na Catedral Nossa Senhora de Lourdes de Apucarana, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Mandaguari e assim por diante. O padre era um pastor de almas e juntamente com a igreja defendia a propriedade particular, a chamada propriedade familiar. A Companhia Melhoramentos foi ordeira e vendeu lotes pequenos (de 2 a 10 alqueires paulistas), nos espaços bem próximos da sede dos municípios atuais, de forma a ter uma grande população de migrantes e de imigrantes e ela conseguiu esta unidade com a Igreja Católica.

       A comunidade religiosa, em torno do padre, organizou na igreja várias irmandades, começando pela Cruzada Eucarística, passando pela Pia União das Filhas de Maria ou pelos Congregados Marianos e por fim ao Apostolado da Oração. Estas irmandades têm suas histórias de fundação em períodos anteriores à nossa colonização.

         As crianças, ora ingressas na catequese de Primeira Eucaristia, seguiam na Cruzada Eucarística até a idade de 13 ou 14 anos. Meninos e meninas se trajavam com roupas brancas, portavam fitas amarelas que eram postas de forma transversal, apoiadas no ombro direito, passando sobre o coração e tocando o lado esquerdo sobre a região das costelas. Quando completos 14 anos, as moças passariam para ser novos membros da Pia União das Filhas de Maria, trajariam vestido branco, tendo uma faixa azul amarrada à cintura e uma fita também azul claro, com uma medalha do Coração de Maria, posta ao pescoço. Da mesma forma, os rapazes, com 14 anos ou mais, ingressariam na Congregação Mariana. Trajariam terno azul claro, camisa branca e portavam uma fita azul, também com uma medalha do Coração de Maria ao pescoço. Os homens, se quisessem, continuariam sendo Congregados Marianos, mesmo depois do casamento ou, a seu interesse, ingressariam no Apostolado da Oração. As moças, ao se casarem, deixariam a Pia União das Filhas de Maria e passariam a ser membros do Apostolado da Oração. Ser membro do Apostolado significava maior comprometimento com a formação da família, com a educação religiosa dos filhos e, sobretudo, um leigo engajado nos serviços da igreja matriz.

         As atividades eclesiais não eram poucas, principalmente nos primeiros tempos de formação das cidades, quando as igrejas estavam sendo construídas e as várias instituições a serviço da população estavam em formação na cidade.

         É muito importante relembrar que no início da colonização, até o ano de 1957, praticamente todo o Norte do Paraná era assistido pela Diocese de Jacarezinho. Havia um bispo apenas para servir as dezenas de cidades existentes. No início de 1957, a situação religiosa melhorou porque foram criadas as dioceses de Londrina e de Maringá. Assim como foram feitas as vendas de lotes nas várias glebas das várias cidades do norte paranaense, assim também foram criadas as paróquias e para cá vieram congregações religiosas que assumiram compromissos com os senhores bispos, uma vez que não havia um número grande de padres diocesanos para assumir os compromissos religiosos.

         Os católicos têm em sua memória que o padre prestava os vários serviços sozinhos, muitos dos quais são feitos hoje por leigos (diáconos, ministros extraordinários da eucaristia etc.). Bem, sendo assim, haveria também a necessidade da continuidade da formação de novos padres e religiosas, daí a abertura dos seminários e colégios de religiosas, daí as chamadas de jovens à vida religiosa.

        Mantendo o espírito de serviço da igreja e da comunidade, surgiram várias outras entidades de prestação de serviços. Cita-se como exemplos: as Damas de Caridade, a Sociedade São Vicente de Paula, os grupos de jovens, as equipes de liturgia. Um pouco mais distantes, mas intimamente ligados à igreja e contando com o apoio do vigário: o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, as organizações esportivas municipais, dentre outras. Desta forma, ser um cristão engajado na igreja não bastava apenas frequentar as missas dominicais, seria preciso ir mais longe, interagindo-se e integrando-se com a igreja viva que sente as dificuldades comunitárias.

         Mandaguari, 28 de setembro de 2014.

Conhecimento: instrução e educação

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No caminho a
caminhar

 

Afonso de Sousa Cavalcanti

Frente ao enorme barulho,

Vê-se que dezembro está findo,

E o que está naquele embrulho,

É o presente d'Ele, o Menino.

 

É tempo sagrado do Advento:

Orações de intensa reflexão,

Vão e vêm a qualquer momento,

É a espera da luz, da consolação.

 

Nas casas e ruas o público atesta,

As manchetes que a mídia enobrece,

falando de consumo, de festa,

e infelizmente o religioso não aparece.

 

As Escrituras falam de um tal João,

O que veio abrir as veredas do Senhor.

Seu discurso indicava a conversão

E conclamava ao mandamento do amor.

 

Palmas sejam dadas aos que sabem ouvir,

aos que escrevem as boas mensagens,

a quem promove melhoras ao novo porvir,

os agradecimentos e redobradas homenagens.

 

Distinta plateia redentorista, nosso bom pessoal,

O momento exige forte tomada de decisão,

pois envolve nosso ser: o corporal e o espiritual,

à frente está o caminho: pisemos firmes no chão!

Mandaguari, 10 de dezembro de 2014.

 

 

Vegetação

Afonso de Sousa Cavalcanti

Frondosa e cobiçada
É a mata que o espaço cobre,
Por dentro dela forte camada
Não deixa o solo pobre.
 
Ela é a exuberante flora
Que sustenta a fauna grandiosa,
Que vem de anos à fora,
Viva, mas de forma milagrosa.
 
Por muitos foi vilipendiada,
Destruída sem projeto,
Ainda continua explorada,
Eis o grande desejo concreto!
 
Muitos falam de sua recomposição,
Coisa apenas de ideais mirabolantes,
De líderes que vivem a emoção,
No interesse de serem governantes.
 
É bem visto que ela surge de boas sementes,
Que por mãos humanas podem ser plantadas,
Para tanto carecem de lideres emergentes
Que projetem as reposições desejadas.
 
Visando sombras e a nova umidade do ar,
Os reflorestadores, aos poucos vão surgindo
E com ênfase aos interessados irão falar
Da recomposição deste novo espaço lindo.
 
Sob a sombra repousa o viajante,
E na copa das árvores, dezenas de amimais.
Que se valem do alimento abundante,
Eis a floresta viva com os seus tantos sinais.
 
Reflorestar para o humano deve ser postura,
Para a sociedade uma obrigação moral,
Que dá à sociedade a requerida estrutura,
Que inventa o bem e se despede do mal.

 

Mandaguari, 15 de junho de 2014.

 

Fé na Trindade

Afonso de Sousa Cavalcanti
 
Celebrações a caminho da Trindade,
Louvores e imensas devoções,
Que enobrecem a toda a humanidade,
Que abençoam a todos os corações.
 
O povo reza, canta e dignifica
A Trindade Santa por Deus enviada.
Por ser santa, dos pecados purifica,
O pensar qualifica, de forma renovada.
 
A questão da Trindade é mistério,
Até para a maiores pensadores.
Chega ao povo pelo ministério
Dos que no altar fazem louvores.
 
Na Trindade, três pessoas de renome:
O Pai, o Filho e o Espírito Celestial,
Por eles, no Batismo, o cristão recebe o nome
E é marcado como herdeiro filial.
 
Falar da Santíssima Trindade
É projetar-se na fé e no amor,
É prosseguir no caminho da santidade,
É civilizar-se ao lado de Deus, o Senhor.
 
O sinal da cruz
É o sinal do cristão.
Quem nele sua vida conduz,
Tem fortalecido o coração,
Torna-se amigo de Jesus,
Crente nele, por convicção.
 
Mandaguari, 15 de junho de 2014.

 

Conselho

Afonso de Sousa Cavalcanti

 
Dizem que se fosse bom o conselho,
Este certamente seria vendido,
Mas tem muita gente que só mete o bedelho
E na hora de fazer não passa de enxerido.
 
Três coisas boas que se aprendem com os pais:
Cuidar com esmero do meio ambiente,
Escrever um livro de forma excelente,
Criar um filho, tendo deles ensinamentos iguais.
 
Os anos passam e lá se vão as vaidades,
A árvore produz frutos, que servem de alimentos,
O filho cresce e tem desejos e vontades,
Ao passo que o livro vai cheio de argumentos.
 
Se se toca nas verdades da História,
Muitos buscam Galileu que fala do moderno contexto,
Ele nos mostra alguns heróis em sua glória
E nos ensina que o Universo é um grande texto.
 
Que o universo foi escrito com caracteres matemáticos,
Isto é a tese moderna do sistema heliocêntrico
Que impulsiona os cientistas ao ponto excêntrico
Para não dizer do seio dos problemas mais enfáticos.
 
O filho criar,
A árvore plantar,
Do meio ambiente zelar.
Todas são ações importantes
Que surgiram nos instantes
Que o mundo aprender a conjugar,
Com veemência, o verbo amar.
 
Uma árvore crescida dá energias ao mundo
                                                                              de então.
Um filho gerado e bem educado não será infecundo.
Este lerá,
                Escreverá
                                  e projetará
ideias, ideais, resultados da civilização.

 

Mandaguari, 2 de junho de 2014.

 

 

Sambista

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Com a cabeça no mundo,
Com os pés batendo no chão,
Contando os passos em segundo
Enquanto pulsa forte o coração.
 
Lá vai o sambista sorridente,
Cantarolando a canção,
Como o rio leva a água corrente,
Ele arrasta uma enorme multidão.
 
Recai sobre ele a mídia que explora,
Que produz imagens sensacionais,
Que busca lembranças de outrora
E também que demonstra algo mais.
 
O dançarino, na rua é criativo,
Faz arte, faz graça, dança.
Cumpre ali o desejo imperativo
E faz com o povo forte aliança.
 
Dançar é arte em celebração,
É um excelente exercício corporal,
Quem se mexe evolui o emocional,
Cria, conserva, cura o coração.
 
Dois passos para lá,
Dois passos para frente,
Dois passos para cá,
Recobram as energias novamente.
 
Nas ruas e nos salões movimentados,
As pessoas não sentem o tempo passar,
pois os que dançam não são alienados,
a preguiça e os males, bem cedo irão curar.
 
Dançar é bem mais do que andar,
Sambar é invenção à brasileira.
Sambar é coisa para se inventar,
Para viver bem a vida inteira.
 
Mandaguari, 8 de junho de 2014.

 

Marcas do coração

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

O narrador apresenta o rascunho,
vai fundo no texto manuscrito,
esforça-se por ser do próprio punho
que os versos compõem o escrito.
 
Quem escreve vai meditando,
viajando nos vários espaços,
se tem braços vai abraçando,
rodeia o corpo, aperta os laços.
 
Ao imaginar um beijo ardente,
o sujeito pensa algo mais enternecedor,
vai colocando as forças da mente
e de repente faz versos de amor.
 
Quem escreve sente alegria em o fazer,
experimenta o que está escrevendo,
mergulha naquilo que está querendo
e aos poucos constrói o bel prazer.
 
Pensar no amor é viver em festa,
é trazer a realidade para seu chão,
sentir que sua alma é pura emoção,
viajar a Deus, pois o amor Ele atesta.
 
Versos de amor são carregados de carinho,
pois quando quem escreve se impulsiona
junto ao outro por não estar sozinho,
este(a) ao lado do(a) amado(a) se emociona.

 

Mandaguari, 1 de junho de 2014.

 

 

Subida ao céu

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

O Senhor ao céu subiu,
Cercado dos anjos de Deus,
Com isto a humanidade evoluiu,
Principalmente os discípulos seus.
 
A Ascensão é dogma aos cristãos,
É abertura de um novo caminho,
É o Senhor se elevando sozinho,
Para arrebatar todos os irmãos.
 
A Ascensão de Nosso Senhor,
da Bíblia é profecia e sinal,
é a completude de sua ação divinal,
é a mais nobre expressão do amor.
 
O Senhor a terra deixou,
Quando de sua Ressurreição,
E, novamente ele testemunhou
Com a singularidade de sua Ascensão.
 
A subida, sozinho, ao céu indica poder,
Majestade, onipresença e realeza,
De um Deus que aos filhos expressa o querer
Da salvação e com enorme justeza.
 
A Ascensão é para o cristão percepção:
De que o Filho é membro da Trindade,
De que o Espírito vive nele em comunhão.
De que Deus assumiu a nossa humanidade.
 
Os humanos deixarão a vida terrena
E irão para junto do ressuscitado,
Lá encontrarão a alegria plena,
Se no amor d’Ele foram contagiados. 

 

 

Mandaguari, 1 de junho de 2014.

 

Fala Brasil

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Tendo que falar sobre isto,
O povo escuta porque topa.
Sim, e porque se pensa nisso
O Brasil inteiro fala sobre a copa.
 
Tudo ou quase tudo está colorido,
No comércio se vê o verde e amarelo.
A mídia já se encheu deste alarido,
Estamos com ela, formamos o elo.
 
O País cumprirá à risca o calendário,
Enchendo de glórias os tais vencedores.
Nos estádios é visível o novo cenário
De que o Brasil é um país de amores.
 
Grandes gastos dar-nos-ão a festa
Do hexa, desde há muito sonhado,
A conquista da alegria como esta
Acredita-se: é o resultado esperado.
 
O Brasil receberá comissões internacionais
E as servirá com a maior das vocações,
Pois nossas hospedagens, belas por demais
Espelham dos brasileiros grandes corações.
 
Já lhe disse que falar da copa é nosso interesse,
Que temos muito para o mundo demonstrar.
Não é em qualquer lugar que se vê um país como esse
E que merecidamente nele veio a copa se instalar.
 
O hexa virá pelo empenho de nossos jogadores
E também pela presença marcante dos torcedores
Que juntos encherão de glória a nossa Nação:
Todos unidos, de fato, seremos uma só emoção.
 
 
Mandaguari, 24 de maio de 2014.

 

 

Do Céu

Afonso de Sousa Cavalcanti

 
Ele é o Espírito celestial,
O Paráclito, o inspirador,
Possuidor das sete virtudes.
Ele acompanha até o final
A quem de Jesus for seguidor.
 
Do Espírito vem a forte proteção
A começar pela grande Fortaleza.
A Piedade inspira o dom da oração
E o Conselho dará à alma a leveza.
 
O Paráclito, a pessoa humana ensina
Para a Ciência que lhe dá habilidades,
Enquanto a Sabedoria ao ser determina
O Entendimento, contra as vaidades.
 
O temor de Deus afasta o homem do pecado
E o conduz para a grande devoção,
Leva-o para o acréscimo que lhe será dado,
Se em sua vida for construída a Ressurreição.
 
Se o Espírito vem ao mundo
Como Paráclito e grande intercessor,
Este é o sinal do amor profundo,
Na Cruz selado por Jesus Nosso Senhor.
 
A Piedade e a Fortaleza,
A Ciência e o Entendimento
São para o crente a certeza,
A bênção e o fortalecimento.
 
Com o Conselho o Espírito nos é vigia,
Com a Sabedoria ele é atendimento,
Com o Temor de Deus, ele principia
Àquele que crê um novo momento.
 
Mandaguari, 25 de maio de 2014.
 
 
 
Os sete dons do Espírito Santo (texto da Internet).
 
1. Fortaleza - Por essa virtude, Deus nos propicia a coragem necessária para enfrentarmos as tentações, vulnerabilidade diante das circunstâncias da vida e também firmeza de caráter nas perseguições e tribulações causadas por nosso testemunho cristão. Lembremo-nos que foi com muita coragem, com muito heroísmo, que os santos desprezaram as promessas, as blandícias e ameaças do mundo. Destes, muitos testemunharam a fé com o sacrifício da própria vida. O Espírito Santo lhes imprimiu o dom da Fortaleza e só isto explica a serenidade com que encontraram a morte! Que luta gloriosa não sustentaram! Agora gozam de perfeita paz, em união íntima com Jesus, de cuja glória participam. Também nós, havemos de combater diariamente para alcançar a coroa eterna. Vivemos num mundo cheio de perigos e tentações. A alma acha-se constantemente envolta nas tempestades de paixões revoltadas. Maus exemplos pululam e as inclinações do coração constantemente dirigem-se para o mal. Resistir a tudo isto requer em primeiro lugar muita oração, força de vontade e combate resoluto. Por esta virtude, a alma se fortalece para praticar toda a classe de atos heróicos, com invencível confiança em superar os maiores perigos e dificuldades com que nos deparamos diariamente. Nos ajuda a não cair nas tentações e ciladas do demônio.
 
2. Sabedoria - O sentido da sabedoria humana reside no reconhecimento da sabedoria eterna de Deus, Criador de todas as coisas que distribui seus dons conforme seus desígnios. Para alcançarmos a vida eterna devemos nos aliar a uma vida santa, de perfeito acordo com os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nisto reside a verdadeira sabedoria que, como os demais, não é um dom que brota de baixo para cima, jamais será alcançada por esforço próprio. É um dom que vem do alto e flui através do Espírito Santo que rege a Igreja de Deus sobre a terra. Nos permite entender, experimentar e saborear as coisas divinas, para poder julgá-las retamente.
 
3. Ciência - Nos torna capazes de aperfeiçoar a inteligência, onde as verdades reveladas e as ciências humanas perdem a sua inerente complexidade. Nossas habilidades com as coisas acentuam-se progressivamente em determinadas áreas, conforme nossas inclinações culturais e científicas, sempre segundo os desígnios divinos, mesmo que não nos apercebamos disso. Todo o saber vem de Deus. Se temos talentos, deles não nos devemos orgulhar, porque de Deus é que os recebemos. Se o mundo nos admira, bate aplausos aos nossos trabalhos, a Deus é que pertence esta glória, a Deus, que é o doador de todos os bens.
 
4. Conselho - Permite à alma o reto discernimento e santas atitudes em determinadas circunstâncias. Nos ajuda a sermos bons conselheiros, guiando o irmão pelo caminho do bem. Hoje, mais do que nunca está em foco a educação da mocidade e todos reconhecem também a importância do ensino para a perfeita formação da criança. As dificuldades internas e externas, materiais e morais, muitas vezes passam pelo dom do Conselho, sem disto nos apercebermos. É uma responsabilidade, portanto, cumprir a vontade de Deus que destinou o homem para fins superiores, para a santidade. Para que possamos auxiliar o próximo com pureza e sinceridade de coração, devemos pedir a Deus este precioso dom, com o qual O glorificaremos aos mostrarmos ao irmão as lições temporais que levam ao caminho da salvação. É sob a influência deste ideal que a mãe ensina o filhinho a rezar, a praticar os primeiros atos das virtudes cristãs, da caridade, da obediência, da penitência, do amor ao próximo.
 
5. Entendimento - Torna nossa inteligência capaz de entender intuitivamente as verdades reveladas e naturais, de acordo com o fim sobrenatural que possuem. A aparente correlação não significa que quem possui a sabedoria, já traga consigo o entendimento por consequência (ou vice-versa). Existe uma clara distinção entre um e o outro. Para exemplificar: Há fiéis que entendem as contemplações do terço, mas o rezam por obrigação ou mecanicamente (Possuem o dom do entendimento). Há outros que, por sua simplicidade, nunca procuraram entender o seu significado, mas praticam sua reza com sabor, devoção e piedade, ignorando seu vasto sentido (possuem o dom da Sabedoria). Este exemplo, logicamente, se aplica às ciências naturais e divinas, logo ao nosso dia-a-dia. Não sendo uma consequência do outro, são distintamente preciosos e complementam-se mutuamente, nos fazem aproximar de Deus com todas as nossas forças, com toda a nossa devoção e inteligência e sensível percepção das coisas terrenas, que devem estar sempre direcionadas às coisas celestes.
 
6. Piedade - É uma graça de Deus na alma que proporciona salutares frutos de oração e práticas de piedade ensinadas pela Santa Igreja. Nos dias de hoje, considerando a população mundial, há poucas, muito poucas pessoas que acham prazer em serem devotas e piedosas; as poucas que o são, tornam-se geralmente alvo de desprezo ou escárnio de pessoas que tem outra compreensão da vida. Realmente, é grande a diferença que há entre um e outro modo de viver. Resta saber qual dos dois satisfaz mais à alma, qual dos dois lhe dá mais consono, na hora da morte; qual dos dois, mais agrada a Deus. Não é difícil acertar a solução do problema. Num mundo materialista e distante de Deus, peçamos a graça da piedade, para que sejamos fervorosos no cumprimento das escrituras.
 
7. Temor de Deus - Teme a Deus quem procura praticar os seus mandamentos com sinceridade de coração. Como nos diz as Escritura, devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus, e o resto nos será dado por acréscimo. O mundo muitas vezes sufoca e obscurece o coração. Todas as vezes que permanecemos nas tentações, com certeza desprezamos a Deus Nosso Senhor. Quantas vezes preferimos a causa dos bens miseráveis deste mundo e esquecemo-nos de Deus! Quantas vezes tememos mais a justiça dos homens do que a justiça de Deus! Santo Anastácio a este respeito dizia: "A quem devo temer mais, a um homem mortal ou a Deus, por quem foram criadas todas as coisas?". Não esqueçamos, portanto, de pedir ao Deus Espírito Santo a graça de estarmos em sintonia diária com os preceitos do Criador. Por este divino dom, torna-se Deus a pessoa mais importante em nossa vida, onde a alma docemente afasta-se do erro pelo temor em ofendê-Lo com nossos pecados.

 

Lembranças

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Aqueles que um dia selaram amor no casamento,
A vida juntos percorreram com alto grau de paz.
Os anos de união é símbolo de bom comportamento
Que sempre, quando se lembram, a memória lhes traz.
 
Por causa da realização desta magnífica união,
Sempre que os dois saem juntos, eles vão de mãos unidas
No convívio com os amigos, sempre expressam convicção,
De que o casamento lhes foi o presente de suas vidas.
 
Dizem que o casal que vive bem uma longa jornada,
Ambos se tornam cúmplices e, de forma parecida.
Se os dois estão juntos, não precisam mais de nada,
Mesmo com os sofrimentos que lhes ameacem a vida.
 
Vários sábios já fizeram enormes pronunciamentos
Sobre a união de muitos casais que vivem bem.
Eles afirmam sobre as bênçãos de Deus e também
Que Deus reservou duas coroas para os bons juramentos
E que lá no céu, aos bons casais, os anjos cantarão amém!
 
O viver bem que o bom pensador pode descrever
É aquele dos casais que nunca se maltrataram,
E, que nas rodas da vida, o casal sempre quer prever
Que ambos querem festejar o que ainda não felicitaram.
 
Quando se percebe um casal em novas caminhadas
É sinal que ali vai preservada a semente do carinho,
Que os dois se esforçaram em suas vidas preparadas
Vidas de doação por aceitarem passar no mesmo caminho.

 

Mandaguari, 18 de maio de 2014. 

 

Depressa

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

A estação do verão ao outono cedeu lugar,
Frutos estão maduros na vegetação exuberante.
Ainda há flores para a floresta poder perpetuar
E servir os seres vivos que vêm de forma vibrante.
 
A pressa de ainda encontrar o verde na floresta,
Esta é compromisso de todos os pesquisadores
Que fazem de seu trabalho uma grande festa,
Enquanto são da ciência espíritos curadores.
 
É preciso rapidez para preservar espécies vegetais,
Pois se sabe que os desbravadores estão em alerta.
Correm aqui e ali e sempre buscam algo a mais,
Faltam-lhes a consciência que destrói por causa da oferta.
 
As espécies perseguidas, nos espaços não são infinitas,
Os que as exploram não percebem sua importância,
Estes correm atrás, devido à sua grande ganância,
Embora não dão conta de que a natureza está aflita.
 
O sonho das mentes preservadoras
é colocar as comunidades em alerta,
para que, do ecossistema, sejam curadoras
e na sociedade se desenvolva a mente aberta.
 
Os que pensam e viajam com a natureza
Percebem que preservar é algo elegante.
Este exercício demovem ideias com certeza,
Demonstrando que o verde é importante.
 
Voar sobre as matas, viajar nas asas do vento,
Olhar a flora e a fauna e sentir nela a ternura,
É com certeza viver um inigualável momento,
É criar novas discussões, tecer uma nova cultura.
 
Pensar e agir são ações subsequentes
E quem as pratica são exemplos de vida.
As suas práticas lançam ideias benevolentes
Que dão à natureza carente uma boa guarida.

 

Mandaguari, 18 de maio de 2014.

 

 

 

Pressa, paixão, vida imprecisa

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Os dois lá se vão abraçadinhos,
Rua a fora, no maior dos amores.
Os pais não acreditam neles sozinhos,
Confiam, desconfiam com temores.
 
Para amar eles já estão bem crescidos
E acredita-se: não precisam mais de vigia.
Ambos já têm caminhos percorridos,
Além de que selaram a consciência como guia.
 
Apaixonados, sem dúvidas, eles estão
E por isso levam na mão direita a aliança.
Dizem que isto é compromisso do coração
para que seus pais tenham neles confiança.
 
De suas vidas amorosas, sabem bem os dois,
Pois para eles o prazer lhes abre caminhos.
Ambos não querem deixar nada para depois
E por isso, o interessante é trocar carinhos.
 
O poeta avista os dois não por causa do sexo,
Não em busca da felicidade fantasiada,
Mas pela boa ação que deixa o casal perplexo
Quando a vida a dois não foi planejada.
 
Os dois que passavam a pé e se beijavam de forma mecânica,
que voavam às pressas em busca do esperado prazer,
hoje estão maduros e repensam a solidariedade orgânica
que deu a eles o status de família e o amor como bem querer.

 

Mandaguari, 17 de maio de 2014.

 

Intercessora

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

No céu, ela é advogada,
É nossa mãe celestial,
Na Terra, é sempre lembrada
É rainha, muito admirada,
Nossa Senhora, a mãe plural.
 
Junto ao Filho e ao próprio Deus,
Ela sempre intercede,
Escuta e defende os filhos seus,
Como mãe, esforços ela não mede.
 
O anjo do Senhor escolheu a Maria,
Moça simples, mas imaculada,
Encantadora e bela como a luz do dia
E por isso é muito proclamada.
 
Já é tradição que em muitos lugares
É uma bênção a sua visitação.
E, por esta  causa, volvem-se os olhares
Dos milhares que buscam a sua bênção.
 
Viver em graça e santidade
É ter da Mãe sempre o carinho,
É estar com ela que tem o jeitinho
De reunir toda a humanidade.
 
Muitas são as Nossas Senhoras,
Que induz para que o bom cristão faça.
Todas são nossas intercessoras,
Várias são as possibilidades de graça,
basta ouvir o Filho nas várias horas.
 
Maria é exemplo de humildade,
É esplendor nas várias aparições,
É mediadora, exemplo de caridade,
É consolo para os aflitos corações.

 

                                  Mandaguari, 13 de maio de 2014.

 

 

Abrigo seguro

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Para todos os lados correm os viventes
Que estão em busca de água e alimentos.
Por esta carência, por coisas prementes,
É preciso entender os depoimentos.
 
Defendem as Escrituras do pastoreio das ovelhas,
Pois elas são frágeis e podem ser ludibriadas.
Se não houver pastor, as mesmas serão levadas
E lá se vão os atributos, mesmo que em centelhas,
Dados ao ser humano, pelas dádivas multiplicadas.
 
O evangelista insiste sobre a missão do pastor,
Dizendo que a missão das ovelhas é a voz dele ouvir,
Caminhar e imitálo e tê-lo com muito temor,
Sempre acompanhá-lo, mesmo que outros venham insistir.
 
As multidões, pastores diversos encontrarão,
Mas somente um é o que mostra o verdadeiro sinal.
Nas caminhadas, mundo à fora, surgirá a ilusão,
Mas as ovelhas bem formadas já escolheram o portal,
Onde verão a misericórdia de Deus, o conforto cristão.
 
Somente um caminho do mundo
Conduz o povo para a salvação, a cruz.
Somente este  terá o buscado o valor profundo,
Que satisfaz o amor fecundo
Que encontramos em Cristo Jesus.
 
Simbolicamente o autor sagrado
Informa que a multidão carente é o rebanho escolhido.
Que o Pastor é jeitoso e com ele comprometido,
Com ele consome seus dias e está sempre ocupado.
 
O abrigo é o lugar de reunião da assembleia,
Onde os que permanecem são o povo eleito.
E, para ele, a salvação é a mais nobre ideia,
Aceita e vivida pelos seguidores do Amor Perfeito.
 
Criaturas, o Criador providenciou,
Abrigo com conforto necessário,
Por sua Providência nunca faltou.
Quando o Bom Pastor surge no cenário,
Por certo vem aquele que o enviou,
Mostrando a todos o itinerário
Que a Palavra Sagrada sempre ensinou.
 
Por todos os lados distantes que alguém olhe,
A aparência do externo longínquo é sempre azul.
Se assim procede, o Deus do distante sempre acolhe,
Os que vêm do leste, do oeste, do norte e do sul.

 

Mandaguari, 9 de maio de 2014.

 

 

 

Mãe

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Menina, moça e mulher,
Estágios deste ente querido,
Projeções que a sociedade quer,
Limites a serem seguidos.
 
Como menina era alegria da casa,
Como moça por muitos cobiçada,
Como mãe é a doação esperada,
é a energia do mundo criando asa.
 
Este nome vibra em cada mente,
Mexe com raciocínios e sentimentos.
Lança ao mundo uma nova semente
Que trará nova vida aos novos momentos.
 
O nome mãe é nova figura,
É substantivo que transfigura
Novas imagens e sons,
Com várias cores e tons,
Que vence barreiras,
Que abre possibilidades
E libera a censura.
 
Falar deste nome, com sinceridade
É fazer para ele poemas
É reunir alegrias,
Celebrar satisfações,
Arranjar novas energias,
Comungar a felicidade.
 
Por este nome
Se faz rima,
Se pensa cotidianamente.
Por causa dele,
Deus volve seu olhar lá de cima
E continua humanizando perenemente.
 
MANDAGUARI, 9 DE MAIO DE 2014.

 

 

Casamento duradouro

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Os dois começam por causa do primeiro olhar,
depois a vida prossegue, entre vários olhares.
Passados os anos e os dois são vistos no seu viver,
na maneira como eles andam ligados,
mãos sempre unidas, braços dados e
sempre se certificado, sendo cúmplice um do outro.
 
Vai a vida com sinceridade,
aumenta a fé que os liga a Deus,
mas o pagamento é a solidariedade
como exemplo aos herdeiros seus.
 
Depois de decorrida certa jornada,
marido e mulher ficam parecidos,
pois os dois mudam os seus sentidos,
inclusive para algo que era quase nada.
 
O quase nada, quando os dois começaram,
é claro que em tudo houve projeto,
primeiro namorando, depois se casaram,
tudo decidido a dois, embaixo de seu teto.
 
Por favor verifiquem "o casamento duradouro",
ele não se sustentou por causa da riqueza,
nem juntos permaneceram a peso de ouro,
mas sim pelo amor compreensivo: eis a certeza.
 
O casal abençoado por Deus e pelos pais,
este terá longa vida à base de bons afetos,
mesmo que venham os percalços e passem por ais,
não importa: os dois verão os filhos de seus netos.
 
Um dia um sábio cuidadoso tirou para me dizer
sobre a previsão da maneira como Deus quer,
que meus sonhos Deus haveria de estabelecer
tendo a meu lado uma santa mulher.
 

Amigo

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Aquele que sempre lhe dá atenção,
Que lhe procura nos momentos difíceis, certamente.
Que está por perto na hora da precisão
E que lhe tece elogios costumeiramente.
 
Sabe de suas dificuldades, das dores da vida
E lhe procura quando quer conselho.
Não permite que sua imagem seja denegrida,
Antes, porém, você é para ele modelo.
 
Quando se cultiva uma grande amizade
O tempo parece voar,
A dor cede lugar à felicidade,
Tudo é prazer ou mesmo o bem-estar.
 
O tempo é festa, pois a amizade configura,
Então resta blindar, enaltecer e viver
Com entusiasmo e grande ternura,
Engrandecendo o tempo do ter e do ser.
 
Conviver com quem gosta da gente
É como semear uma semente boa,
Pois no convívio a gente sente
Que o consumir dos dias não foi atoa.
 
Aperto de mão, abraço e boa conversa
É o início de se ter a companhia sempre por perto.
O ir, o fazer, o perdoar e vice=versa
São sinais de que a vida deu certo.

 

Mandaguari, 4 de maio de 2014.

 

A peça musical e o artista
Afonso de Sousa Cavalcanti


No princípio o Criador fez tudo do nada,
depois o artista pensou o criado
e dele o som havia aos poucos brotado,
mediante a arte à mente confiada.

O artista reuniu notas musicais, aos milhares
e delas todas fez uma peça, o registro, a memória,
que atraiu multidões em vários tempos e lugares,
de forma que nelas chegamos: basta ouvir a História.

A partitura é a alma de uma canção: eis o argumento,
cuja composição das notas demonstra a criatividade
e através da mesma o artista expressa comprometimento,
demonstra ensinamentos, enriquece a humanidade.

O compositor musical pode a muitos ser semelhante,
pois se aproxima do poeta nas virtudes dianoéticas,
está bem próximo do cientista, na busca constante
de compor com eles, cumprindo necessidades estéticas.

Dizem os filósofos sobre comportamentos transcendentais,
mas as pessoas levam quase todo seu tempo somente em ouvir.
Ensinam os religiosos sobre princípios espirituais,
mas a pessoa humana pouco agradece e sempre vai a Deus pedir.
Confessam os músicos que o saber se expressa por notas musicais
e isto depende de "ser povo", para entender, basta "ouvir".


Abraço aos amigos. Afonso.

 

A crença (a fé na Ressurreição ou viagem a Emaús)

Afonso de Sousa Cavalcanti
 
Os dois caminhavam juntos, com grande perturbação,
suas almas mergulhadas em incerteza,
em nada, ou quase nada viam de satisfação,
sobre a morte de Jesus desejavam clareza.
 
Os discípulos procuravam puxar pela memória
dos ensinamentos e conselhos do Senhor,
embora sua fé fraca não entendia sobre a Glória
e que aquele que estava com eles era o Salvador.
 
Jesus relembra a paixão, morte e Ressurreição,
procura levá-los ao palco da história,
percorre em mente toda aquela trajetória
e mesmo assim não percebem que lhes ardia o coração.
 
Chegado o momento em Emaús, no povoado,
eles e o Senhor se dirigem para uma refeição.
Jesus se revela a eles: eis o momento esperado,
O gesto da quinta feira santa, a Partilha do Pão.
 
Naquele momento o Senhor desapareceu
e eles então recordaram de que ardeu-lhes o coração.
Refletiram e entenderam que aquele era o Filho de Deus,
E para a alegria de todos: eis o sentido da Ressurreição!
 
Se a fé deles era fraca ou não,
isto pouco importa, eles eram discípulos seus.
e para encurtar a conversa de então,
esta viagem confirma: Jesus é o Filho de Deus.
 
Voltando aos tempos de nossa catequese,
convido meus leitores a esta santa reflexão,
que juntos pratiquemos a esperada ascese,
e com Ele e n’Ele vivamos desde já a Ressurreição!
 
Mandaguari, 3 de maio de 2014.

 

A vida no campo

Afonso de Sousa Cavalcanti
 
Sair da cidade rumo à zona rural
é buscar ar puro e menos barulho.
A amizade no campo é mais fraternal,
A moradia é livre, com menos entulho.
 
Se vamos ao campo, vamos à festa,
pois lá encontramos um grande espaço,
algo que na cidade não se manifesta,
no sítio a vida segue menor compasso.
 
O verde da natureza nos encanta,
a água da mina ainda corre pura
o bem-te-vi no galho canta
e os amantes esperam sem loucura.
 
Num piscar de olhos, as máquinas as terras transformam,
gradeiam, semeiam, adubam e promovem
o progresso das colheitas que as mídias informam,
enchendo celeiros e a fome do mundo resolvem.
 
Nossa visita ao campo, hoje é especial,
pois visitamos uma pequena propriedade
que hoje conta com recursos do Pronafe Rural
que dá aos carentes ajuda de verdade.
 
Na casa visitada, a residência escolhida,
ali vivem parceiros arrendatários
que já deixaram para trás a vida sofrida,
sendo hoje empreendedores de boa vida
e não mais dependentes de salários.
 
Que maravilha é adentrar numa propriedade modelo,
principalmente para quem estuda a ação de projetos,
de políticas públicas que livra a população de pesadelo
e a coloca no caminho da sorte, os novos trajetos.
 
No campo alguns dizem que a vida pede bis,
porque a viveza da natureza nos induz ao melhor,
nos empurra para uma experiência de vida feliz,
abrilhantando a tudo o que está a nosso redor.
 
Não importam os bons restaurantes das cidades,
as melhores comidas do mundo,
os melhores planos, milhões de felicidades,
da solidariedade o que há de mais profundo,
não, voltar ao campo nos mata as saudades.
 
O amarelo escuro nas folhas maduras da vegetação,
a terra úmida e o vento fresco o bastante
testemunham a fuga da estação do verão,
no momento que o local é visitado por um viajante.
 
É outono e todos os seres celebram a maturidade
dos frutos produzidos pela exuberante natureza.
Lá no campo o modo de viver se diferencia da cidade,
Enquanto que na cidade a vida vai em velocidade,
No campo as pessoas curtem a vida sertaneja.

 

A ressureição

Afonso de Sousa Cavalcanti
Madalena foi ao túmulo e não encontrou o Senhor,
foi surpreendida pelo anjo branco vindo do além
que lhe informou acerca de Jesus e de seu amor,
sobre sua dor, sua paixão e morte em Jerusalém.
 
Na memória de Madalena ainda pairavam
as lembranças e as palavras de carinho
que Maria e Jesus nunca lhe dispensavam.
Embora ela não entendesse o ensinamento
de que o Mestre ressuscitaria sozinho
para depois dar a todos igual momento.
 
Veja que ora penso, mas pouco tenho vivido,
Confesso que minha fé é muito pequena,
Frente ao amor maiúsculo daquele Mestre querido
e também da confiança exemplar de Maria Madalena.
 
Junto ao sofrimento de cruz Jesus ainda raciocinava.
Olhando para Maria, deu a ela como filho o amigo João
E do mesmo modo, ao amigo, sua mãe lhe entregava.
Para completar o sofrimento daquela crucificação,
Jesus deu o exemplo de como seria a Ressurreição.
 
Hoje os teólogos refletem sobre a doação do amor de Deus
Por nos mandar Jesus, da Ressurreição, o exemplo primeiro,
levando a todos a consciência de que somos seguidores seus
e é pela fé na ressurreição que do céu nos tornamos herdeiros.
 
Sobre as maravilhas da fé na história da redenção,
É difícil a tarefa, entender o mistério e carregar nossa cruz.
Subir aos céus, hoje sabemos: somente pela ressurreição,
Isto se durante a vida nossa alma for atingida por Jesus.
 
Com a Ressurreição, Jesus se tornou o esposo da Igreja,
Tendo Maria como mãe, nossa advogada e intercessora.
Jesus nos deu a igreja como mãe e mestra para que nos proteja
E em resposta a Ele formamos uma assembleia promissora.

 

Mandaguari, 16 e abril de 2014.

 

Sabe, estou com pouca inspiração, mas o que faço, faço-o como forma de uma oração. Creio na Ressurreição. Tenho eu refletido muito sobre esta ação que Jesus nos deu como exemplo e penso constantemente no meu dia, no dia de cada um de nós. Tenho pensado que a Ressurreição é algo para cada um, é algo individual, mas dela participaremos se tivermos vivido com fidelidade o amor de Deus. Creio que ela irá acontecer exatamente no último dia de minha vida, no momento em que o ciclo de minha vida se fechar. Veja que se eu escrever aquela frase. "Em verdade eu te digo hoje estarás comigo no paraíso". É preciso ir aos textos. Veja se ela estiver escrita assim; Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso. Ou se ela estiver assim: Em verdade eu te digo, hoje: estarás comigo no paraíso. Creio que não haverá demora. Não estou com pressa de ir, mas sei que um dia terei de ir. Tenho estudado no Direito que existe um prêmio para quem é bom e um castigo para quem é mau. Tenho lido nos pensadores, tenho ouvido de quem me ensina que o Céu e o Inferno são construídos por mim mesmo. Quando faço o bem, uso bem o meu bom senso, ajo de tal forma que minha vida seja modelo aos outros, modelo de bem, então estarei construindo para mim o céu; se faço o contrário, então estarei erguendo o grande edifício que irá me aprisionar. Um abraço e creia na RESSURREIÇÃO, ela é fato consumado por Jesus Cristo. Afonso.

 

A sepultura

Afonso de Sousa Cavalcanti

 
Jesus adentrou na comunidade
e avistou Marta e Maria se lamentando.
Delas, ele se aproximou, trazendo a caridade,
aquela que o Mestre vinha profetizando.
 
As irmãs ainda não tinham da fé a dimensão
e também não estavam prontas para ouvir,
mas Jesus ali chega contrito de coração
e lhes dá o conforto para o que estava por vir.
 
O Filho de Deus foi prático o bastante,
levou a todos para o túmulo, a prisão
e ali, invocar ao Pai foi sua primeira ação.
mostrou às irmãs o que é a Ressurreição,
ordenando que Lázaro saísse naquele instante.
 
Lázaro passava por um processo de dormição
e no túmulo, há quatro dias já cheirava mal,
voltar à vida, para todos, era certo que não.
Jesus fez um milagre: eis a crença no espiritual.
 
Estar morto é uma forma de linguagem
ressuscitar é um processo de pós morte,
pois bem: a Bíblia nos fala desta passagem,
a crença em Jesus nos envia a esta paragem
para vermos que ressuscitar não é uma questão de sorte.
 
Mandaguari, 8 de abril de 2014.

 

Cão, cachorro, bichinho de estimação.

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Cachorro que corre para todos os lados
procurando comida e quase nada descobre.
É um daqueles animais coitados,
não passando sequer de cachorro de pobre.
 
Não se sabe ao certo se existe um cão ideal,
sabe-se somente do bichinho de estimação,
aquele estimado e com preferência como animal
que quase sempre vive numa grande mansão.
 
Ao sair à rua ou a outro lugar,
o vira-lata fareja procurando algo inusitado
e quando termina por encontrar
descansa e dorme no chão prostrado.
 
O tal cachorrinho de gente rica,
encoleirado e trajando veste bonita,
percorre espaços e não se irrita,
marcando com mijo, o que para trás fica.
 
Não importa a vida doida de cão,
quem nasceu para ser  cachorro de pobre,
dificilmente será bichinho de estimação,
vai continuar correndo e pouco alimento descobre.
 
Quem nasceu para ser cão de pessoa abastada.
este terá ração à vontade, viverá na fartura.
Será linda criatura, por muitos estimada,
jamais dormirá ao relento e terá vida dura.

 

 

 

Desconforto

Afonso de Sousa Cavalcanti

 
Em casa insegura,
entra-se pelas portas e janelas,
isto depende da procura,
entrar e sair por elas,
não se distingue a figura.
 
Platão afirmou que o corpo é prisão da alma,
embora a alma é do corpo sentinela
e para que a vida continue calma
a saída é sempre a porta e jamais uma janela.
 
Os pensamentos viajam a toda hora,
vão em busca de solução,
procuram, procuram e, muito embora,
o encontrado ainda é prisão.
 
No corpo a dor é constante,
na alma, o relembrar é exigência.
O tempo vivido com excelência
dirá ao ser o que lhe é importante.
 
Percebe-se se o viver foi valoroso
quando os dias parecem passar depressa.
A alma conduz o corpo que já vai vagaroso
e não mais espera pela nova promessa.
 
Casa com janelas e portas seguras
ou casas inseguras com portas e janelas.
Almas e corpos, ainda com vidas imaturas,
libertem-se, esperem sem amarguras,
em breve chegarão os seus anjos sentinelas!
 
Mandaguari, 23 de março de 2014

 

 

A água viva

Afonso de Sousa Cavalcanti

Jesus e a Samaritana, ao lado do poço de Sicar,
Conversavam sobre os modos de a sede matar.
Jesus diz à samaritana sobre a existência da água viva
e a mulher o ouvia com toda a sua força sensitiva.
 
Disse a mulher àquele judeu que passava por ali:
o nosso pai Jacó nos deu este poço como presente,
mas ele é profundo e não se avista a água daqui.
Para enxergá-la de cima é preciso esforço da mente.
 
O Mestre pediu água e perguntou à mulher sobre seu marido
E ela foi clara que não estava desposada novamente.
A do Senhor sobre os cinco maridos é que dá o sentido
Para que a samaritana enxergasse aquele judeu como vidente.
 
É claro que Jesus procurava água para a sua sede matar,
Mas muito mais do que isto, sua ação é transcendente,
Pois ali, junto ao poço de Jacó, diz que ele veio dela as dores tirar,
Muito mais do que isto, ele é o nosso Salvador Permanente.
 
Olhando para o poço de Jacó, à beira do caminho de Sicar,
Quem é religioso e tem fé, logo da dúvida vai saindo,
Aumenta-lhe a percepção e surge então o bem-estar
Que da boa reflexão pouco a pouco vem emergindo.
 
À beira do caminho existe um poço e sua história,
Nele e ao redor dele ainda se vê Jesus e a Samaritana
E depois dele, no deserto, a multidão está em trajetória,
em busca da água viva dada por Ele que não nos engana.
 
 
Mandaguari, 22 de março de 2014.

 

 

Mudanças

Afonso de Sousa Cavalcanti
 
Na natureza, tudo o que está solto balança,
vai e vem seguindo a mercê do vento,
é o ciclo do tempo que provoca a mudança,
alterando até mesmo a lógica do pensamento.
 
Tem razões certas discussões da boa Filosofia,
isto dependendo do modo das discussões
que envolvem as Humanas e na boa harmonia
levam os interlocutores a grandes transformações.
 
Tudo é devir e o ciclo do tempo vai velozmente
mexendo com os mais nobres sentimentos,
mergulhando na alma intelectiva, principalmente,
de acordo com a tecnologia: seus novos inventos.
 
Transformações são vistas a todo instante,
inovações, a mídia tem por certo em seus comentários,
de forma a obrigar a todos, algo constante,
com novas significações com sentido nos dicionários.
 
O vir a ser da semente que da árvore se vai ao chão
é um acontecimento esperado e muito natural,
da maneira exata como os amantes passam pela paixão,
importando para eles afugentar a dor, como momento final.
 
Dizia Heráclito que na natureza tudo é movimento,
afirmava Hegel que a ideia nova é para a velha a negação
e assim sendo, para os que pensam é chegado o momento,
de a sociedade de agora trazer ensinamentos da evolução.
 
Se as folhas caem das árvores, ainda na estação do outono,
mesmo por isso os indivíduos agradecem a Deus, é a percepção
que não nos permite deixar de enxergar, mesmo nas horas do sono,
nos embalando a produzir a mais perfeita e humana revolução.

 

 

A tentação

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

Jesus, o Filho de Deus, o Salvador,
Feito homem, à nossa imagem e semelhança,
Estava no mundo jejuando, a serviço do Senhor,
Para nos livrar do pecado, o que temos por herança.
 
Como homem, no deserto, do mundo, bem afastado,
Rezava e sofria pelos pecados humanos, mas por certo
Agonizava, mas não esperava que pelo diabo seria tentado
E que o evangelista narraria esta história a partir do deserto.
 
Lá estava o homem jesus, sem comer há dias e tinha fome,
Mas o diabo, com vãs astúcias, apareceu ali, neste momento
E foi dizendo: ”transforme as pedras em pão e as coma!”
E Jesus: “Não só de pão vive o homem!”  Eis o argumento!
 
O diabo conhecia de cor as letras das Sagradas Escrituras
E para insultar a Jesus, o levou para o alto da igreja do vilarejo.
Lá ele disse: “Salta daqui, tu não és como aquelas criaturas,
os teus anjos proteger-te-ão da queda, eles sabem do teu desejo”.
 
Depois ainda, para aumentar-lhe o sofrimento, buscou outra tentação,
Levou Jesus para o alto de uma montanha, ou para o topo do mundo,
Ali o diabo passou dos limites e argumentou, usou até de sua intuição,
Mas de Jesus nada arrancou, aliás, o Messias usou de seu humor profundo.
 
Não encontrando saídas, restou a satanás, apenas ir embora,
Voltar para o Inferno e com seus anjos amargar os horrores.
A Jesus, sobraram-lhe a paciência e o bom exemplo daquela hora,
Pois a partir de então, avistou os anjos, do mundo, os protetores.
 
Quem estuda esta lição bíblica, percebe quão rica ela é,
Embora Jesus não precisasse passar por este sofrimento,
Mesmo assim ele preferiu fazê-lo para que cresçamos na fé
E tenhamos nas letras da Lei Divina o sagrado alimento.
 
Mandaguari, 8 de março de 2014.

 

 

Mulher

Afonso de Sousa Cavalcanti

 

A criatura recebeu este título de Deus
E depois foi viver ao lado de seu parceiro,
Com ele gerou e cuidou dos filhos seus
E hoje é esposa e mãe, seu gesto primeiro.
 
Ao longo da história da humanidade,
Passou pelas dores do parto e da submissão,
Mas nem por isto se ausentou da solidariedade,
De forma que hoje, da família é o coração.
 
Mulheres existem para o encanto da vida,
Muitas são procuradas pelo vil interesse
De homens, que no sexo elegem a preferida,
Ao invés de protegê-la  como a mãe da messe.
 
Com esta homenagem penso em Mamãe, a mulher,
Relembro minhas irmãs com a mesma exatidão,
Recobro as lembranças das professoras, pelo querer
De render homenagem à Eva, a esposa do pai Adão.
 
Uma mulher planejou e me trouxe a este mundo
Para que eu soubesse o valor de ser serviçal,
E hoje tenho nela um amor muito profundo
E continuo amando minha esposa como minha igual.
 
Fazer versos sobre a mulher é registrar a história
Dos novos tempos, onde esta espécie humana
Celebra e felicita a mãe, a esposa e canta a vitória,
prosseguindo feliz, na nova espécie  que se irmana.
 
Mandaguari, 3 de março de 2014

 

Batizado

Afonso de Sousa Cavalcanti
Trouxeram os pequenos meninos para o Batismo,
carregados e cortejados pelos amigos e parentes.
Que não seja este instante apenas o casuísmo,
mas vários momentos de fé e de amor crescentes!

Muitos vieram fazer festa e se alegrar na igreja,
acompanhando de perto futuras pessoas de bem.
O padre muitas vezes repetiu "Bendito e louvado seja",
mas muitos sequer sabiam que se envolviam ali também.

A missa chegou ao fim e tudo virou em fotografia,
até o padre, abraçando as crianças, fez gracinhas.
Pais e padrinhos festejaram, tudo, tudo era alegria,
algo fantástico, muito longe de coisas mesquinhas.

Tudo foi lindo, mas me comoveu o momento da pia batismal,
quando o padre derramou a água e as crianças choraram.
Ali muitos se concentraram e buscaram a antiga fé ideal,
eu também voltei ao choro, quando eles me batizaram.

Onde estivemos, presenciando este rico sacramento,
notamos alegria, alívio na fé e crescimento cristão.
Questão esta construida com um santo sentimento,
aquele que se aprende no berço e se leva no coração.

Após a festa do batismo, o padre a todos enviou embora,
mandou os batizados que alegrassem a nossa cidade.
Disse em tom de bênção: "que todos unam no agora
e não se esqueçam de Jesus, nossa luz, paz e verdade."

Voltei aos meus parentes e amigos ali presentes
para que juntos rezássemos fortes e com grande ardor
e sempre nos enriqueçamos no amor e na fé ardentes,
as graças que recebemos de Jesus Cristo, o Senhor.

Da igreja saímos satisfeitos para a vida continuar,
agora, com nossa missão cumprida e maior vontade
iremos unir nossas energias para os batizados ajudar,
estar junto com todos e trabalhar pela comunidade.

 

 

 

RECORDAÇÃO

 
Afonso de Sousa Cavalcanti
(Fevereiro de 2014)
 
Com o padre Silva falamos do passado,
volvemos as ideias para o tempo presente,
remexemos com angústias e dores,
viajamos em algo delicado.
Falamos do projeto permanente
de nossas vidas e de celebrações de amores,
relembramos os afetos massacrados.

Padre Carlos ficou mil vezes agradecido
e me elevou à felicidade espiritual,
a alegria nele me fez vê-lo rejuvenescido.  
Vi nele meu professor do antigo colegial.

Por estar feliz e disposto,
sua bênção várias vezes supliquei por bem.
Dele ouvi a fala forte e com bom gosto:
Deus que o abençoe e a seus amigos também!

Sai do convento pleno de alegria,
desejoso de gritar sobre a minha felicidade.
acabei de falar com o padre, aquele que um dia,
lá no Santo Afonso me ensinou sobre a caridade.

A todos os da UESER, agora eu confesso
comecei a entender as pegadas redentoristas.
Por favor,  a todos eu me dirijo e, com fé eu peço:
sejam gratos aos seus formadores, amigos ex-seminaristas! 
 
 
 

O fim social da terra

Afonso de Sousa Cavalcanti

Ao filosofar sobre a propriedade da terra,
encontramos seus dois lados: o ódio e o amor.
Os que a possuem sabem que no seu valor encerra
A possibilidade de” status quo” e sobre os outros, a dor.
 
O direito à propriedade é algo sagrado, dado por Deus,
basta que se leia a Bíblia e lá no Éden vemos Adão e Eva.
Deus predestinou um  jardim promissor aos filhos seus,
Mas de posse da produção, Caim, preferiu fazer a treva.
 
Cá conosco, longe, muito longe das artimanhas da cobiça,
a ciência elaborou a tecnologia e aumentou a produção.
Com tudo mais fácil, os gananciosos, no ócio, vivem a preguiça
de forma a encher seus seleiros e a muitos vem faltar o pão.
 
O Congresso Brasileiro produziu as letras de nossa Mágna Carta
e ali ficou previsto que a propriedade se obriga à função social.
Quer poetas, literatos, jurisconsultos, leem o que a boa letra encarta
que a terra é Gaia, é solo para conforto e não a ostentação ao mal.
 
Nas salas de aula, o fim social da terra é conteúdo de estudo,
pois ali tais atributos são  delicadamente, um a um, analisados,
Nas mentes dos aprendizes e dos pensadores e... contudo,
Nas letras da Lei, o primeiro atributo: trabalhadores assentados.
 
Assim prossegue a Carta... o segundo é a todos gerar ocupação,
não para não deixá-los vagar ao leu e sim dar-lhes a prosperidade.
O terceiro atributo dá ao morador a paz, do viver, a boa emoção
isto só o compreende quem sabe e tem no lazer a praticidade.
 
O trabalhador abastece o comércio, além de produzir sua sobrevivência,
pensa no outro e se percebe produtor, do meio ambiente, o protetor.
Por ser homem, pensa e supera o espírito ganancioso e desvairado,
pois vai além da tecnologia e aos pouquinhos sente-se socializado.
 
Passei a perceber que a terra é Gaia, ser vivo ainda não compreendido,
no dia em que sobre ela adormeci  e sonhei mil sonhos de minha idade.
Quando acordei, então me dei conta de rever o verdadeiro sentido
que até hoje, somente o Criador sabe acerca da terra como propriedade.
 
 

Pontos produtivos de terra roxa

(MEMÓRIAS DO NORTE DO PARANÁ)
Afonso de Sousa Cavalcanti
 
No verde espalhado nas matas ciliares
e que se alastra na proteção das reservas legais,
protegidos correm os regatos, volvem os olhares
dos homens e bichos que se valem dos vegetais.
 
Antes os desbravadores derrubaram as matas,
poluíram as águas e produziram riquezas.
Não importa, de formas erradas ou sensatas,
trouxeram divisas, plantaram ao Estado certezas.
 
Sitiaram-se as glebas, construíram-se estradas,
implantaram-se ali milhares de moradias.
Aos poucos, modelos agrícolas, em novas jornadas,
Surgiram, vistos por Deus e por anjos vigias.
 
O Norte do Paraná se alastrou em várias cidades.
sem que o Colonizador fizesse alguma camaradagem.
Os bons juízos apontam que as soluções às necessidades
foram as causas do trabalho, sem nenhuma maquiagem.
 
Hoje os habitantes do vasto espaço de terra vermelha
que se estende das cidades de Londrina a Maringá,
eles se orgulham mesmo que tenham feito uma centelha,
todos gritam satisfeito, viva o Eldorado, o Norte do Paraná.
 
Sou filho desta terra, Jandaia do Sul é meu torrão,
apesar de que resido em Mandaguari e ali ganho meu pão.
Sou filho de pioneiros, da educação participante,
para este espaço dou minha vida, pois desta terra sou amante.
 
Sou filho da terra, destemido trabalhador,
para seu povo me curvo e registro sua HISTÓRIA.
Faço projetos, planto, irrigo e sou também colhedor
dos frutos plantados por aqueles que me cedem a MEMÓRIA.

 

 

A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE DA TERRA E A PROPRIEDADE DA TERRA TRATADA COMO EMPRESA

Professor MS e Dr. Afonso de Sousa Cavalcanti
Comunicação Oral
Resumo 
Ao repensar a história sobre A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE DA TERRA E A PROPRIEDADE DA TERRA TRATADA COMO EMPRESA, o pesquisador verá acontecimentos importantes da História do Brasil e especificamente do Paraná que afirmam que por causa das mudanças legais, milhares de trabalhadores brasileiros abandonaram seus trabalhos no campo e especificamente os paranaenses largaram suas moradias da zona rural e migraram para as cidades e diversas outras regiões. A propriedade da terra, realizando sua função social e sendo tratada como empresa, com sua produção efetiva é instrumento necessário à realização humana. Muitos trabalhadores perderam suas casas, a comida e o trabalho e se tornaram migrantes e expropriados. Boas saídas podem ser encontradas nas políticas públicas que o governo implantou e vem implantando. Excluídos, expropriados e explorados aumentam a mão-de-obra desqualificada nas cidades. Agricultores engajados na propriedade familiar são frutos da CPT que surgiu em 1965 e que pedia a reforma agrária, e ela representa a solução individual e familiar. Possivelmente o cumprimento da função social da terra e seu gerenciamento como empresa reforça a idéia da CPT e no Paraná quer demonstrar que a produção de produtos que nossas propriedades têm vocação para produzir, quer hortifrutigranjeiros orgânicos e a policultura variada, isto parece viável. É sabido que mais tarde, as reivindicações individuais da CPT se tornaram coletivas. No Brasil, diminuiu a quantidade de terra para produzir, plantar e trabalhar. É bem isto que afirmam os agricultores que reivindicam benefícios para que possam continuar produzindo víveres. Para eles, as terras tiveram preço mais elevado. Produzir ficou mais caro. Os pequenos proprietários tiveram que vender suas terras porque não era viável trabalhar no campo. A monocultura e a pecuária surgiram fortes. Na década de 1970, apareceu a figura do bóia-fria e este tem dificuldade para vender sua força de trabalho. O assentamento dos trabalhadores braçais sem terra não parece solução para quem desenvolve a agricultura tradicional como faz a maioria dos agricultores brasileiros. A tecnologia (trator, ceifa, sementes, implementos agrícolas, adubos e...) gera o desemprego no campo. Busca-se uma política de créditos e aproveitamento de tudo aquilo que se produz, isto é a mais forte reivindicação de nossos agricultores. O que se quer, nesta análise, é instruir os agricultores, principalmente no esforço de produzir mais, viver melhor, gerenciando corretamente suas propriedades e cumprindo a função social da terra, conforme determina o artigo 186 da Constituição Federal de 1988: construindo moradia na propriedade; produzindo víveres para a família; aumentando a produtividade para abastecer o mercado interno; implantando lazer, descanso e bem estar na propriedade; preservando o meio ambiente. Da mesma forma em que o agricultor deve estabelecer os cinco preceitos da função social da propriedade da terra, ele também deve pensar muito e agir com racionalidade, pensando na receita, antes que ele determine as despesas. De fato, a terra é mãe que apresenta o berço, mas o cuidado com este leito é responsabilidade de quem cuida da Mãe Terra. Queremos integrar os agricultores brasileiros para que repensem e prossigam felizes em sua missão de produzir alimentos saudáveis e não sofram tanto como sofreram nossos agricultores do passado. Palavras-chave: Propriedade da terra. Fim social da terra. Estabilidade do Proprietário da terra.______________
* Professor de Filosofia, Sociologia, METEPE e Política
 Educacional na FAFIMAN
 
Autor:Afonso de Sousa Cavalcanti
E-Mail:afonsoc3@hotmail.com
Data de Criação : 2013-01-10
 

As quatro regras do discurso cartesiano.

Se o indivíduo se declara bom pensador, é obvio que faz uso constante do bom senso. René Descartes(1596-1650), filósofo francês, ensinou que o bom senso é algo comum em todos os homens. Para este filósofo, a tônica das pessoas justas e sensatas é repousar constantemente nas meditações. O bom senso leva o indivíduo à reflexão que vai do controle da razão sobre os sentidos e por isso ele nos adverte a duvidar constantemente de tudo. Na sua obra Discurso sobre o método, Descartes é claro e ensina:
1ª regra: nunca tomar algo como verdadeiro, sem que antes haja a busca constante da evidência. Destaca-se neste ensinamento a necessidade urgente da observação, da vigilância, da prova concreta, do testemunho incansável e, sobretudo, do esforço inegável e contínuo da racionalidade;
2ª regra: o raciocínio dedutivo é uma constante nas pessoas que apresentam projetos comunitários. Tal esforço necessita da análise aprofundada dos fatos, das suas causas e consequência. A análise faz o sujeito aguçar a mente e penetrar nas partes do objeto investigado, dividindo-o em tantas partes quantas forem necessárias para a boa compreensão:
3ª regra: a síntese é o terceiro passo importante que toda pessoa de bem deve seguir. As questões analisadas resultaram em idéias simples e idéias complexas, portanto este momento consiste em reunir (eleger) as idéias encontradas, partindo das mais simples e menos significativas, para as mais complexas e mais substanciosas de significados;
4ª regra: o momento de decisão final de uma grande meditação está na reverência de todos os momentos vividos anteriormente, portanto, trata-se da revisão e da enumeração completa de tudo o que foi feito. A revisão consiste em vasculhar aquilo que foi exigido pela evidência, que foi analisado metodicamente, que ocupou nossa mente em organizar a síntese e agora em rever detalhadamente tudo, de forma a não esquecer nada que mexeu com nossa sensibilidade e racionalidade.
Dedico esta reflexão cartesiana àqueles que olham a Igreja como escola e lugar de encontro para a misericórdia e redenção.
 
Autor:Afonso de Sousa Cavalcanti 
E-Mail:afonsoc3@hotmail.com
Data de Criação : 2009-04-27

 

NINGUÉM DÁ O QUE NÃO TEM

Conto com profundo senso moral

        O edital do vestibular de verão da Faculdade já estava disposto ao público. Os formandos do ensino médio procuravam ansiosos pelos cursos, pela data de inscrição e mais: queriam informações sobre os cursos, sobre suas grades curriculares. Oportuno foi o momento em que mais de 20 jovens se aproximaram da página que informava acerca do Curso de Letras. 
Ali bem próximo do quadro do edital, sentado e com os braços apoiados sobre uma mesa, estava o velho professor de latim daquela instituição. O mesmo se levantou e foi até os jovens e os cumprimentou. Dirigindo-lhes a palavra foi dizendo: 
- Bem vindos a esta casa de ensino! Muitos já atravessaram o caminho por aqui e hoje são bem sucedidos. O curso que vocês observam tem por finalidade formar licenciados e pesquisadores em Letras. O forte deste curso é a nossa língua. Aprender a língua é desenvolver diversas habilidades que vão da simples observação – nas formas de ler, interpretar e transmitir – até à linguagem mais complexa: abrangendo literaturas, teorias literárias, línguas estrangeiras, além dos mecanismos diversos da linguagem, ora vistos pelos lingüistas, ora cobrados pelos gramáticos. Vocês ainda não me conhecem. Apresentando-me a todos, informo-lhes que no momento sou professor da Língua Latina e de Literatura Latina. Tenho a maior paixão pelo que ensino. A língua latina e os clássicos latinos são minhas raízes, neles me realizo. Quando tenho dúvidas, recorro a eles e confesso-lhes que tenho respostas imediatamente. 
          Entusiasmado pela fala vibrante do professor, Marcos puxou conversa com ele e procurou retirar dele algum conhecimento. Foi dizendo: 
- Meu pai é advogado. Volta e meia vejo seus processos. Constantemente ele usa termos latinos. Disse-me ele que os advogados novos já não mais aprendem o latim, pois este é uma língua morta.
          O mestre ouviu o futuro aprendiz e dialogou calmamente com ele: 
- Gostei de ver, meu rapaz! Vejo que já se interessou pela matéria. A língua latina é a mãe da língua portuguesa, portanto é sua alma. Sem que compreendamos a raiz das palavras, nosso raciocínio ficará truncado. Procurem ouvir o que vou dizer. Irei ensinar alguns aforismas e os repetirei duas vezes para que os mesmos possam ser gravados em suas memórias. Assim que eu apresentá-los por duas vezes, farei sua tradução para o português. 
         Com muito respeito e simbolismo, o velho professor pára por alguns segundos e se coloca em posição de contemplação – digamos, aquela posição que os patriotas se põem no momento em que entoam o hino de sua pátria. A concentração é tudo para que o ator – neste caso, o professor de latim – possa pronunciar as sentenças e motivar os futuros acadêmicos de letras. O latim bem falado soa gostoso nos ouvidos dos meninos. O mestre, fazendo como se fosse um aperitivo, pronunciou: 
- “Dura lex, sed lex”, “Dura lex, sed lex”. (A lei é dura, mas é a lei). 
- “Hodie mihi, cras tibi”. “Hodie mihi, cras tibi”. (Hoje para mim, amanhã para ti). 
- “Homo homini lupus”. “Homo homini lupus”. (O homem é lobo do homem).
          Ouvindo a boa pronúncia do professor, os estudantes pediram àquele que os recepcionava para que dissesse mais aforismas. O mestre empolgado resolveu dizer frases mais consistentes e com forte cunho moral. Sua voz foi ouvida por mais pessoas de forma que ele se entusiasmava cada vez mais:
- “Ocasio facit ferum”. “Ocasio facit ferum”. (A ocasião faz o ladrão). O sujeito, por errar uma vez, por roubar o tempo ou a mercadoria, e não ser corrigido, continuará errando. Errará tanto que seu bom senso entrará em desuso; 
- “Imperium habere vis magnum? Impera tibi”. “Imperium habere vis magnum? Impera tibi”. (Queres ter um grande poder? Governa a ti mesmo). O poder está em nós mesmos, em nossos sentidos e racionalidade. Está no cumprimento do dever e no exercício do direito; 
- “Mens in corpore tantum molem regit”. - “Mens in corpore tantum molem regit”. (É o espírito que rege o corpo). Sem a racionalidade, nossas ações são puramente animalescas. Agimos como lobos e apenas experimentamos desejos, se não dermos conta de que a racionalidade é extremamente necessária. 
         Os três últimos aforismas ensinam sobre o animal político que todos nós somos. A ocasião também faz o que é vigilante, basta procurar o poder em si mesmo e deixar que sua alma intelectiva governe plenamente. 
Interessante! O vestibular chegou, as aulas foram aos poucos sendo ministradas. Os professores demonstravam saber, principalmente os professores de língua portuguesa e de Filosofia que faziam questão de diferenciar com precisão as definições e os conceitos; de acertar nos mínimos detalhes as palavras e as sentenças mais significativas. Quase sempre buscavam os significados mais profundos nas raízes dos termos, bem juntinho das línguas grega e latina. De forma que os acadêmicos tinham nas veias sanguíneas o provérbio latino: “Nemo dat quod non habet” (Ninguém dá o que não tem). Sinceramente, as frases são construídas com erros gramaticais; as idéias são confusas; a linguagem falta com sua finalidade. Isto ocorre porque aquele que transmite não possui o objeto da comunicação, ou seja, o pensamento bem construído. 
         O tempo decorreu. Janeiros vieram e aqueles acadêmicos, agora professores pós-graduados, retornam como egressos para a festa de sua instituição de ensino. Não mais encontram o professor de latim – a instituição aboliu da grade curricular a disciplina de língua latina –, pois o latim é desnecessário, afirmam os dirigentes daquela faculdade. O latim caiu no esquecimento Com ele também se foram os clássicos filósofos e a disciplina de Filosofia. O velho mestre somente ficou na saudade, como um mito que apenas é ouvido por quem sabe referenciar a mãe de nossa língua pátria.
          Sem medo de defender o que é forte, o que é cultura, reproduzo o som que ainda está em minha memória: “Alia jacta est”.(A sorte foi lançada”; “Veni, vidi, vici”. (Vim, vi, venci). Quem sabe, as novas estratégias de difundir a língua e de cultivar o saber, sejam muito eficientes e valha a pena afastar-se das raízes históricas! 
 
Autor:Afonso de Sousa Cavalcanti 
E-Mail:afonsoc3@hotmail.com
Data de Criação : 2009-03-14