Sínodo sobre a família: as novas sugestões do Papa Francisco

16/12/2014 14:09
Maria Galluzzo
jornal Europa
10-12-2014

A partir desta semana começa um novo ciclo de catequeses 
e será dedicado à família

No dia posterior à publicação das 46 perguntas enviadas às dioceses de todo o mundo para aprofundar o sínodo extraordinário em vista daquele ordinário que ocorrerá no outono de 2015, o Papa Francisco dá um anúncio importante: a partir da próxima semana [desta, portanto] começará um novo ciclo de catequeses e será dedicado à família.

Isto significa que, paralelamente à reflexão de paróquias e associações eclesiais que transferirá a Igreja de um sínodo ao outro, da Praça São Pedro chegará semanalmente o ponto de vista do Papa. O “caminhar juntos” se amplia e se reforça, porque, como aconteceu durante a sessão extraordinária, haverá apoio e supervisão do Pontífice, “cum Petro et sub Petro”.

Acompanhando este anúncio, feito nesta semana durante a costumeira audiência geral, houve a narração do Papa sobre “como andou e que coisa produziu” a assembleia de outubro passado. Na visão do que disse a mídia – observa o Papa, embora agradecendo aos operadores da mídia pelo trabalho desenvolvido – “se falava seguido de duas esquadras, pró e contra, conservadores e progressistas”.

Uma leitura pouco côngrua da assembleia dos bispos, porque “o sínodo não é um parlamento”. Nisso, por certo, se congregam os representantes das igrejas a nível mundial, mas a “estrutura não é parlamentar, é totalmente diversa”. O Sínodo, especifica o Papa Bergoglio, “é um espaço protegido para que o Espírito Santo possa agir: não foi o confronto entre facções, como num parlamento onde isto é lícito, mas um confronto entre os bispos, que ocorreu após um longo trabalho de preparação e que agora prosseguirá num outro trabalho, para o bem das famílias, da Igreja e da sociedade”.

E, à pergunta se tem havido “litígios” entre os padres sinodais, o Papa replica: “Não sei se litigaram, mas que falaram forte, sim, realmente. E esta é a liberdade, é precisamente a liberdade que existe na Igreja”. E tudo ocorreu.

A narração do Papa Francisco, propedêutica às próximas catequeses, parte do início desta experiência. A começar pela sua solicitação aos padres sinodais de parresia, “de falar com franqueza e coragem e de escutar com humildade, dizer com coragem tudo aquilo que tinham no coração. No sínodo não houve censura prévia, mas cada um podia – e até devia – dizer aquilo que tinha no coração, aquilo que pensava sinceramente”.

Para passar pelas várias fases dos trabalhos sinodais, pelo Instrumento de trabalho, “fruto da precedente consulta de toda a Igreja”, ao relatório do cardeal Péter Erdö, à discussão nos grupos linguísticos, e fazer uma clarificação sobre o fato que “nenhuma intervenção pôs em discussão as verdades fundamentais do sacramento do matrimônio”.

Aviando esta nova etapa do processo sinodal que envolverá cada semana também os milhares de fiéis e peregrinos que se reúnem nas quartas-feiras na Praça São Pedro, O Papa sintetiza também os documentos oficiais produzidos até agora. São três: o estágio final, a Relação final e o discurso final do Papa. “Não há outros elementos”.

Traduzido por Benno Dischinger.
 

 

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