Entrevista: O provincial de São Paulo

15/01/2015 11:50
 
Revista de Aparecida. , 15 de Janeiro de 2015 às 10h37. 

O provincial de São Paulo

No final de 2014, Padre Rogério Gomes, C.Ss.R. foi eleito Provincial da Unidade de São Paulo. Nesta entrevista, ele nos conta quais as prioridades dos Missionários Redentoristas e a relevância do Santuário Nacional no trabalho de evangelização. 

Padre Rogério Gomes, CSSR

Revista de Aparecida: O que é ser provincial? 
Padre Rogério Gomes: Ser provincial é, antes de tudo, ser pai, pastor, animador e alguém que coordena, com a ajuda do seu Conselho e de outros organismos (Secretariados, Comissões etc.), uma Província. Trata-se de uma função que exige capacidade de escuta, acolhida, discernimento e postura firme, quando há necessidade, e de um olhar amplo sobre todas as frentes de trabalho existentes, para que possam responder à finalidade do carisma, ao anúncio explícito do Evangelho aos mais pobres e abandonados (Lc 4,18). 

RdA: A Congregação do Santíssimo Redentor está se reestruturando na missão. Nesta reestruturação, qual é a contribuição da Província de São Paulo?
Padre Rogério Gomes: 
A contribuição tem sido em vários níveis: na articulação de propostas para dinamizar as conferências, bem como o envio de confrades para outras Unidades da Congregação. Entre essas iniciativas, via URB (União dos Redentoristas do Brasil), está a ajuda ao Suriname. Acredito que, futuramente, a Província poderá ampliar suas contribuições a outras Unidades da C.Ss.R e até mesmo fundar uma frente missionária. Trabalharemos para que isso ocorra. 

RdA: Quais as prioridades dos Missionários Redentoristas no trabalho de evangelização?
Padre Rogério Gomes: 
Quando escolhemos um trabalho, consideramos, dentre tantos outros, dois aspectos importantes: as necessidades pastorais e de evangelização e a opção em favor dos pobres (Const. 5). Em outros termos, devemos estar onde realmente outros não estão. Nas palavras do Papa Francisco, em sua exortação Apostólica Evangelii Gaudium, nº 24, “Primeirear”, ou seja, “[...] A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1Jo 4,10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos”.

Atualmente, temos as Missões populares, os Santuários e as Igrejas não paroquiais, paróquias e algumas delas em periferias de grandes cidades e os meios de comunicação. Diante disso, é sempre importante se interrogar: este trabalho é prioritário? Isso nos possibilita, enquanto Província, a autocrítica tão importante para abandonarmos frentes que já não mais respondem àquilo proposto pelo carisma. 

RdA: Como o senhor percebe a relevância do Santuário Nacional e seus meios de comunicação para a província de São Paulo, para a Congregação do Santíssimo Redentor e para a Igreja? 
Padre Rogério Gomes: O Santuário, graças à colaboração dos milhões de pessoas, que são ‘tijolos vivos’ e ajudam tanto financeiramente quanto pelos estímulos, aliado ao trabalho de tantos confrades redentoristas que por aqui passaram e os que atualmente exercem sua pastoral, cresceu quantitativa e qualitativamente. Os meios de Comunicação fizeram com que o Evangelho chegasse a longas distâncias e, ao mesmo instante, proporcionaram um desejo de vir a Aparecida e conhecer o Santuário. A relevância deles para a Província está no fato de que podemos ampliar nosso serviço de evangelização, chegando às mais variadas realidades. Além disso, prestar um serviço de formação da consciência das pessoas para que possam exercer sua cidadania com dignidade e reivindicar os seus direitos.

 

"Os nossos meios de comunicação podem e devem prestar este serviço [de evangelização] que se conflui na missão da Congregação e da Igreja". 

Em nossas constituições, podemos ler: “Os membros da Congregação têm como incumbência o anúncio explícito do Evangelho e a solidariedade com os pobres, a promoção de seus direitos fundamentais na justiça e na liberdade com o emprego dos meios que sejam, ao mesmo tempo, conformes ao Evangelho e eficazes” (Const. 5). Os nossos meios de comunicação podem e devem prestar este serviço que se conflui na missão da Congregação e da Igreja. 

RdA: Que mensagem o senhor deixa para os participantes da Campanha dos Devotos.
Padre Rogério Gomes: 
Agradeço cada pessoa que faz parte deste meio de evangelização. Não consigo saudá-los pessoalmente, devido ao enorme número de participantes, mas por meio destas minhas simples palavras cada um(a) sinta-se saudado e acolhido em meu coração. Ressalto que vocês são responsáveis pela beleza de tudo aquilo que acontece no Santuário Nacional e se espalha pelo Brasil e pelo mundo: as Missas, as novenas, os programas da TV, enfim, de todos os meios que usamos para a evangelização. Nunca percam a esperança, mesmo nos momentos mais difíceis da vida. Deus está sempre conosco! Acreditem sempre no bem que podem fazer a milhares de pessoas que nos são desconhecidas. Vocês acreditam neste projeto! Você já pensou quantas pessoas já ajudou a ouvir uma palavra de esperança, de entusiasmo por causa da sua dádiva? Quantas encontraram o seu caminho porque estavam perdidos pelas estradas da vida desconsolados e, ao ouvirem a Palavra de Deus anunciada, encontraram um novo caminho!

Que Deus abençoe a todos os participantes da Campanha dos Devotos, e que Maria os cubra com seu manto maternal!  

Padre Rogério Gomes, CSSR Padre Rogério Gomes nasceu em Alterosa (MG) no dia 7 de outubro de 1974. É formado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2000) e em Teologia pelo Instituto São Paulo de Estudos Superiores - ITESP (2005). Possui formação na área de Espiritualidade pelo Centro Teresiano de Espiritualidade (Carmelitas) e Mestrado em Teologia Moral com ênfase em Bioética pela Academia Alfonsiana de Roma (2007).

Em 2013, concluiu o Doutorado em Teologia Moral pela Accademia Alfonsiana, Roma (2013), com a tese 'Vigilância e sociedade de segurança no contexto tecnológico atual', que foi publicada pela Editora Santuário neste ano sob o título 'Vigilância e segurança na sociedade tecnológica'. 

Foi professor do Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ISPES), da Escola Dominicana de Teologia (EDT) e da Faculdade de Teologia São Bento (SP). Até 2014, lecionou na Accademia Alfonsiana, em Roma. É membro da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), da Sociedade Brasileira de Teologia Moral (SBTM) e da Surveillance Studies Network (SSN).

 

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